Ribeirão Preto - Unanimidade entre as montadoras agrícolas, o crescimento na participação de mercado deve ser a saída para as marcas enfrentarem a crise instalada no setor este ano. Mesmo com o aumento de 4,5% para 7,5% nos juros do Moderfrota e a incerteza em relação ao que será anunciado no Plano Safra em 19 de maio, o produtor deve renovar a frota este ano, acredita o vice-presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Francisco Matturro. Durante a 22ª Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação (Agrishow), que acontece até sexta-feira em Ribeirão Preto (SP), ele convocou os agricultores a investirem em maquinários agora, pois "não se sabe o que virá".
Pensando nisso, as montadoras anunciaram lançamentos estratégicos durante a feira para enfrentar o mau momento econômico e político do País. A Case IH, por exemplo, aposta na nova plantadeira Easy Riser, em cinco novos tratores e em um pulverizador feito no Brasil para ganhar participação no mercado e minimizar a queda nas vendas. A empresa cresceu 7% em market share de tratores entre 2005 e 2014 e 17% em colheitadeiras no mesmo período, segundo Mirco Romagnoli, vice-presidente da Case IH para a América Latina. "Nossa meta é popularizar a Case para aumentar o leque de clientes."
Conforme Romagnoli, a agricultura tem passado por mudanças, como janelas mais curtas de plantio, controle de custo e escassez de mão de obra, por isso a montadora precisa investir em produtos de menor custo e que proporcionem maior produtividade. "Outro diferencial é a rede de suporte para concessionários, suporte financeiro, de peças e de serviços."
De acordo com o diretor comercial da Case IH no Brasil, César Di Luca, a empresa tem ofertado condições comerciais especiais, como o consórcio Case IH com entrega programada, para estimular o produtor a continuar investindo. Na Agrishow, os produtores também poderão obter descontos ao adquirir um combo que inclui plantadeira, trator e pulverizador com injeção direta. "Nossa expectativa para a feira é boa. Encaramos como positivo um resultado semelhante a 2014, uma vez que o mercado este ano é menor que o do ano passado", comentou Di Luca, que prevê um segundo semestre mais positivo para o segmento.
A Jacto também aposta no lançamento da colhedora de café K3500 para lavouras adensadas como alternativa para driblar a crise. Segundo o presidente da empresa, Fernando Gonçalves Neto, a estratégia da montadora é pensar o mercado a longo prazo. "Vendemos três K3500 em 2014, dez este ano e estamos iniciando as vendas para entrega em 2016", citou o diretor comercial da Jacto, Valdir Martins, lembrando que a máquina custa R$ 875 mil.
"Sabemos do aumento nos juros do Moderfrota, mas apostamos num sistema de consórcio nacional de 102 meses para pagamento com juros de 12,5% no período como incentivo para o produtor comprar equipamentos de maior valor. Também estamos propondo pagamento pela troca de equipamento por produto como, por exemplo, uma colhedora por café", completou Martins.

n A jornalista viajou a convite da organização da feira.

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