São Paulo - O pacto social proposto pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) parece não ter contado com a adesão do setor automotivo. Pelo menos duas grandes montadoras - Fiat e General Motors - anunciaram ontem reajustes de preços.
A proposta do pacto social era negociar com todos os segmentos um acordo para garantir o crescimento sustentável da economia e evitar o aumento dos juros. Para isso, todos os setores envolvidos teriam de se comprometer com a manutenção dos preços.
Segundo as General Motors, o aumento é reflexo do repasse parcial da elevação de custos de produção provocada pelo reajuste salarial negociado nesse final de semana com os sindicatos de metalúrgicos do ABC, São Caetano, Taubaté, Tatuí e São Carlos. O acordo prevê um aumento de 10% para quem ganha até R$ 6 mil por mês. Diante do aumento, que entra em vigor hoje, os carros da GM ficarão 1,9% mais caros.
Já a tabela da Fiat sofrerá reajustes de 1,75% a 1,96%. Alguns modelos, como o Siena Fire, não serão reajustados. A Fiat informou que o seu reajuste não foi motivado pelo aumento salarial, já que seus veículos são fabricados em Betim (MG), ou seja, fora da região em que foi negociado o acordo salarial.
Os repasses da Fiat são resultado dos aumentos dos insumos usados na produção de veículos.
Números da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostram que o custo do aço subiu 106% de janeiro de 2002 a julho de 2004. Só neste ano, o aumento foi de 43%. ''Temos preços fixos e margens que estão sendo espremidas ao longo dos anos. Os preços (de veículos) não conseguem acompanhar a variação de custos dos insumos. Por conta disso temos uma indústria que não realiza lucros há mais de cinco anos'', declarou o presidente da Anfavea, Rogelio Golfarb.

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