As montadoras de automóveis anunciaram ontem reajustes de preços de até 9,98%, que entram em vigor a partir de hoje. Estes são os primeiros reajustes de uma série após o final do acordo emergencial do setor automotivo, que baixou os preços dos carros por meio da redução das alíquotas do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).
Os carros da Volkswagen estão, em média, 9,1% mais caros. A Fiat aumentou de 3,98% a 9,98%. Na General Motors, o aumento oscila entre 7,8% e 9,6%. A Ford anunciou reajuste de 9,8%, em média. Além dos reajustes, as empresas não concederão os descontos de R$ 350 e R$ 250 nos preços.
As montadoras haviam assumido o compromisso de manter os preços estáveis durante os dois meses de vigência do acordo, que terminou ontem. Em troca do benefício, as montadoras e os fabricantes de autopeças se comprometeram a manter o nível de emprego nas fábricas por 90 dias desde o início do acordo, ou seja, até o início de junho.
A prorrogação do compromisso vinha sendo negociada entre o governo e as indústrias. Na sexta-feira passada, entretanto, o governo anunciou o fim do acordo porque as montadoras insistiram em reajustar os preços.
Os fabricantes de veículos argumentam que a desvalorização cambial encareceu as matérias-primas dos carros, daí a necessidade de reajustar preços. A Volkswagen, por exemplo, diz que seus custos de produção aumentaram até 40% no caso componentes importados. O presidente da montadora alemã, Herbert Demel, chegou a declarar em comunicado que a empresa vai continuar ‘‘perdendo dinheiro’’.
As novas tabelas de preços começaram a chegar às concessionárias ontem pela manhã. As revendas prevêem uma queda acentuada nas vendas, possivelmente aos níveis registrados em fevereiro, os piores desde a recessão de 1992. Sindicalistas dão como certa uma onda de demissões.
O aumento de preços anunciado ontem será o primeiro de uma série que vai acontecer ainda neste mês. No final das contas, os preços dos carros ficarão até 25% mais caros, de acordo com cálculos dos concessionários. Pelo acordo emergencial do setor automotivo, as montadoras não terão mais o compromisso de manter os preços ao consumidor estáveis, mas continuam recolhendo o IPI menor por mais 15 dias. Isso para compensar o estoque de carros vendido durante o início do acordo que havia sido faturado com o IPI anterior. Após esse período, as montadoras deverão promover um novo reajuste.

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