As montadoras ameaçam demitir mais de 16 mil trabalhadores. O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Silvano Valentino, disse ontem que há 15% de ociosidade no quadro efetivo do setor. Segundo ele, as empresas continuarão demitindo se o governo não fizer nenhuma alteração na política econômica capaz de reverter a queda nas vendas de carros. Desde a edição do ajuste fiscal em outubro, as montadoras já demitiram 6 mil trabalhadores.
Valentino disse que enquanto a produção caiu 20%, a partir das medidas, a mão-de-obra encolheu 5%. ‘‘Se a crise se prolongar, o número de ocupados vai diminuir e o governo sabe disso’’, ameaçou o presidente da Anfavea.
As mudanças que o setor quer que o governo faça estão ligadas à carga tributária. A alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) foi elevada em oito pontos porcentuais na edição do ajuste fiscal. ‘‘Fomos discriminados, punidos com o aumento do imposto somente nos nossos produtos’’, protestou Valentino.
Para ele, que prevê redução na produção em 25% neste mês na comparação com março de 1997, a redução da TBC de 34% para 28% ‘‘não será decisiva’’ para reverter o quadro de retração no setor. ‘‘Os bancos das montadoras já vinham trabalhando com juros mais baixos’’, lembrou. Valentino reiterou que ‘‘depende do governo’’ permitir ao setor a retomada dos níveis de vendas anteriores ao ajuste fiscal.
O setor vinha produzindo médias próximas de 200 mil veículos por mês. Faz três meses que a produção mensal não passa de 120 mil. Valentino prevê queda de 4% a 5% na produção deste ano ‘‘graças à exportação’’. Não fosse o aumento dos contratos no exterior, a queda seria muito maior, segundo ele.
O presidente da Anfavea apontou ainda a necessidade de garantir acesso do Brasil ao cenário de competitividade mundial. ‘‘Se isso acontecer, vamos ficar mais regionalizados do que poderíamos ser. E, inclusive, teremos mais necessidade de proteção.’’
O setor automotivo emprega hoje 112.400 pessoas. Cada empregado de montadora representa pelo menos mais cinco empregos indiretos na indústria de fornecimento e revendedores. Deste total, 101.602 estão nas fábricas de veículos e 10.757 nas de máquinas agrícolas. Somente este ano as montadoras de veículos cortaram 1.772 postos. A indústria de veículos começou o ano com 103.374 empregados.

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