Montadoras ameaçam demitir metalúrgicos
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sábado, 18 de novembro de 2000
Das agências De São Paulo 
Dirigentes da indústria automobilística acordaram ontem de ressaca, ainda perplexos com a decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) que determinou o reajuste de 10% aos 60 mil metalúrgicos do setor no Estado de São Paulo. Somente na próxima semana as empresas, que ofereciam 6,5%, vão anunciar se recorrerão ao Tribunal Superior do Trabalho (TST). A posição dos empresários é de que, mantida a decisão, as empresas perderão competitividade e os empregos dos funcionários estarão ameaçados.
Passados os 90 dias de estabilidade determinados pelo tribunal não sabemos o que vai ocorrer. Quem determinará a manutenção do emprego é o consumidor, disse o representante da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea),Valter Coratti Trigo. Também não foi definido se um aumento de custo na folha de pagamento será repassado aos preços dos carros.
Segundo Trigo, o que deixou o setor perplexo foi o fato de o TRT ter ignorado que as empresas pagarão o equivalente a 12% do salário de cada funcionário em participação nos resultados. Somado aos 10% de reajuste, o aumento será de 22%, o que é incrível.
Outra decisão que surpreendeu montadoras e analistas foi o não desconto dos dias parados. É um precedente complicadíssimo, pois num período de estabilidade econômica e de democracia os sindicatos deveriam assumir as consequências de uma paralisação, disse José Roberto Ferro, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e estudioso do setor automobilístico. Ele avaliou, no entanto, que o reajuste de 10% não deve representar um impacto muito brutal nos custos das montadoras.
Durante a greve, cerca de 20 mil veículos deixaram de ser produzidos. Os estoques de carros nas revendas caíram de 110 mil para 90 mil. Não há risco de falta de produtos, mas o consumidor pode ter dificuldades em encontrar alguns modelos, disse o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave), Hugo Maia. Segundo ele, os lojistas podem se aproveitar da situação e reduzir os descontos que vinham sendo oferecidos nas últimas semanas, de 6%, em média.
As montadoras devem se reunir na próxima semana para decidir se vão recorrer. Não temos como pagar tudo isso, afirma Valter Trigo, negociador das montadoras. Enquanto isso, os metalúrgicos se desarmaram: as assembléias de trabalhadores realizadas ontem nas fábricas paradas decidiram pelo fim da paralisação.


