Montadoras aguardam mudanças econômicas para retomar o fôlego
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quarta-feira, 29 de outubro de 2014
Cecília França<br>Reportagem Local 
São Paulo - O 28º Salão Internacional do Automóvel de São Paulo começou ontem para a imprensa e, em meio aos lançamentos, o debate sobre a economia do País ganhou espaço. O setor automotivo registra uma queda acumulada no ano de 8,9% nas vendas em relação a 2013, por isso, anseia por mudanças na política econômica do governo da presidente reeleita, Dilma Roussef, para retomar o fôlego em 2015.
O presidente da Fiat Chrysler (FCA) para América Latina, Cledorvino Belini, diz esperar que o novo governo trabalhe com duas prioridades: redução da inflação e retomada do crescimento econômico. Segundo ele, essas medidas impulsionariam o setor a uma recuperação no próximo ano. Belini avalia que a recomposição da alíquota integral do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), prevista para o início de 2015, deveria ser novamente adiada.
"O mercado está devagar, sem dúvida o ideal era que mantivesse o IPI atual, mas não temos certeza do que vai acontecer", declara. Para Belini, a volatilidade do mercado em virtude da realização da Copa do Mundo e das eleições foram o principal agravante para a queda nas vendas este ano. Para 2015, ele espera recuperação no segundo semestre.
O vice-presidente da Ford América do Sul, Rogélio Golfarb, concorda que os eventos atípicos afetaram o desempenho do mercado, pois reduziram dias úteis e mudaram o foco dos consumidores. Para ele, o mercado volátil é um dos problemas enfrentados pelo setor hoje. "A volatilidade dificulta previsões, provoca aumento de estoques, que ainda estão altos", revela.
Segundo ele, a Ford tem 400 mil unidades em estoque hoje. Golfard aponta a definição do IPI como fundamental para o planejamento da empresa, que, por enquanto, considera a recomposição da alíquota integral em suas estratégias. "Se considerarmos só os níveis de vendas seria positivo que ficasse (reduzido), mas vamos aguardar, a presidente Dilma vai definir a equipe de governo e isso já vai dizer muito para a gente", declara.
A Renault, que concedeu férias coletivas aos funcionários duas vezes este ano, para ajuste de estoques, tem uma visão mais otimista. Para o presidente da marca no Brasil, Olivier Murguet, "todos os mercados têm altos e baixos". Ele diz que o setor automotivo aposta no longo prazo e acredita que o potencial de crescimento esteja no Brasil. "Operar no quinto maior mercado do mundo é mais uma oportunidade que um problema", resume.
Financiamentos
Facilitar o acesso a financiamentos, aumentando o prazo de parcelamento e diminuindo os custos bancários, é a melhor saída para o mercado crescer no próximo ano, na opinião do presidente da Volkswagen no Brasil, Thomas Schmall. Segundo ele, esse incentivo levou à duplicação do mercado entre 2006 e 2012 - de 1,6 milhão para 3,2 milhões de veículos vendidos. Em caso de retorno da tarifa integral do IPI, Schmall espera que sejam implementadas outras medidas para compensar possíveis perdas.
"Incentivar a exportação, apoiar a alta tecnologia, tudo que ajudar a fazer um carro com condições melhores para os clientes", opina. A Volkswagen promoveu layoff e férias coletivas em suas fábricas para adequar a produção à demanda, no entanto, segundo Schmall, os estoques continuam altíssimos. Para ele, o setor pode crescer entre 3% e 4% em 2015, se incentivado pelo governo.
A jornalista viajou a convite da organização do evento


