Curitiba O setor automotivo amargou a pior crise recessiva dos últimos dez anos nos primeiros 11 meses do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias de Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Estado (Sindimetal) do Paraná, Roberto Sotomaior Karam, os juros altos e a queda do poder aquisitivo da população foram os fatores que mais influenciaram. ''Sofremos o reflexo da situação da população brasileira, que perdeu poder aquisitivo entre 13% e 14% neste ano. A população está insegura. Não quer gastar com a troca do carro'', avaliou ele.
Apenas as montadoras de máquinas agrícolas e colheitadeiras que sentem diretamente o reflexo do desempenho dos agronegócios tiveram crescimento neste ano. As empresas que produzem ônibus e caminhões não tiveram perdas, mantendo a mesma taxa de vendas do ano passado. Já as empresas que trabalham com automóveis acumularam perdas de 12%.
Apesar do cenário negativo, o setor está confiante. Para o ano de 2004, as empresas apostam num crescimento significativo. ''Tudo vai depender do governo federal investir na queda efetiva dos juros bancários e da inflação. Temos que retomar o crescimento'', afirmou Karam. O setor vive uma crise de vendas no varejo desde setembro do ano passado. O assunto foi debatido ontem no Seminário Paraná Automotivo, que reuniu, em Curitiba, representantes das montadoras paranaenses, fornecedoras de peças e de prestadoras de serviço. ''Temos que reverter o quadro atual. Estamos com os pátios lotados e as vendas caíram significativamente'', enfatizou.
O setor também contribuiu para aumentar o desemprego no Brasil. Cerca de 13,5% dos trabalhadores do setor automotivo perderam os empregos. ''Trabalhamos com funcionários cada vez mais qualificados. A recessão obriga a demitir'', considerou Karam. Mesmo com o desemprego e a queda das vendas, o setor teve um incremento de produtividade de 6%.

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