O diretor-geral da Paccar, que detém a marca de caminhões DAF, João Petry
O diretor-geral da Paccar, que detém a marca de caminhões DAF, João Petry



São Paulo - O grupo Paccar, que detém a marca de caminhões DAF, anunciou nesta terça-feira (18) que o banco Paccar Financial começou a operar no Brasil. E deve fechar o primeiro contrato de financiamento dos caminhões produzidos em Ponta Grossa (PR) nas “próximas horas”. O anúncio foi feito em coletiva em São Paulo.

A instituição financeira está investindo R$ 100 milhões no País, sendo 30% na infraestrutura necessária para funcionar anexa à fábrica da DAF. E 70% em financiamentos. Com a alavancagem, o diretor-geral, João Petry, acredita que o banco tem condições de oferecer R$ 700 milhões em crédito. A meta é responder por 20% das vendas da marca ainda neste ano e 30%, no ano que vem.

Petry explicou as razões que levaram o grupo a trazer o banco. A primeira é que o mercado brasileiro de veículos de carga é quase que totalmente dependente de financiamento. “Somente entre 10 e 15% dos negócios são feitos à vista.” Ter banco próprio é fundamental para conquistar mercado.

Outra razão é que, embora os bancos comerciais sejam responsáveis pela maior parte dos financiamentos de caminhões, de acordo com o diretor-geral, eles “pisam no freio” sempre que há uma crise como agora. Antes da recessão, os bancos de montadoras não chegavam à marca de 40% de participação nos negócios. Em 2016, atingiram 59%. “Quando está tudo bem, o cliente vai num banco comercial e às vezes até consegue uma taxa melhor. Quanto tem viés de baixa, só fica quem é do ramo”, alegou.

O diretor disse que, pelo fato de estar entrando agora no mercado, o Paccar vai apresentar mais apetite que a concorrência. “O cliente que quer mais oportunidade de negócio terá essa oportunidade conosco porque, com a gente, terá um histórico zerado. Vamos aumentar oferta de crédito no mercado.”

Embora não tenham divulgado nenhum número, os executivos garantiram que as taxas do Paccar são competitivas porque o banco tem o melhor rating (risco) entre os concorrentes. Classificado pelas agências como A1/A+, o Paccar alega ter condições de captar dinheiro mais barato no mercado.

Inicialmente, vai oferecer apenas a linha do CDC. Mas, ainda neste ano, quer fechar o primeiro negócio com o Finame do BNDES, ao qual está em processo de credenciamento. O diretor-geral disse que o leasing não está sendo praticado pelo mercado atualmente. E que esta linha será oferecida quando houver demanda.

Os executivos do grupo também fizeram uma análise de conjuntura durante a coletiva. Entre outros indicadores, lembraram que a previsão para o PIB de 2019, antes de janeiro, era de 2,53% e que, agora, é de 1%. Esperava-se um aumento da produção industrial de 3,04% e que, agora, espera-se apenas 0,47%.

“Começamos o ano com otimismo com o novo governo. A nova equipe econômica trazia esperanças, estava todo mundo entusiasmado, mas não aconteceu. A economia é muito impactada pela política”, disse Petry. O diretor afirmou esperar que, com a reforma da Previdência, o cenário melhore. Ele acredita em queda de juros e, em decorrência, um aquecimento do mercado.

FOUNDING

O diretor Financeiro do Financial Paccar no Brasil, Anderson Haiducki, contou que o banco começa com três fontes de recursos: capital próprio, dinheiro do banco em outros países, e os empréstimos interbancos. “Quando estivermos maduros também iremos para o mercado de capitais emitir ações.”

A DAF chegou ao País, vendendo caminhões importados, em 2011. Dois anos depois, inaugurou a fábrica em Ponta Grossa.

RECORDE

Em 2018, o grupo Paccar, que tem 114 anos, bateu recorde de receita no mundo. Foram US$ 23,5 bilhões. Há 80 anos, segundo os executivos, está operando no azul e vem distribuindo dividendos desde 1941. No ano passado, o grupo vendeu 198 mil caminhões das três marcas no mundo.

* O jornalista viajou a convite da empresa

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