A fábrica de caminhões da marca DAF, que está sendo construída em Ponta Grossa, começa a produzir para teste a partir da próxima semana e, em escala comercial, em meados de outubro. A marca, que pertence ao grupo Paccar, mostrou ontem em Americana (SP), na pista da Goodyear, os primeiros caminhões que serão montados no País, os XF 105, do segmento de extrapesados.
Apesar do início da produção, a fábrica paranaense, única da DAF fora da Europa, não está pronta e ainda não há data definida para sua inauguração.
Os caminhões, segundo o diretor de Operações, Luiz de Luca, não terão preços especiais para ingressarem no mercado brasileiro. "Serão valores compatíveis com a categoria premium", afirma. Para atrair os compradores, a marca deverá estender garantia e incluir serviços de manutenção, entre outros benefícios.
Luca explica que, graças a 40 fornecedores instalados em território nacional, os caminhões terão índice de nacionalização de cerca de 60%. De acordo com as regras definidas pelo governo brasileiro, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) só libera 100% do valor a ser financiado se o índice de nacionalização for superior a 60%.
"Às vezes, em virtude da oscilação do câmbio, caímos para 59%", conta o diretor. De 55% a 60% de nacionalização, o financiamento pelo BNDES é de 90%. "Se, no dia de financiar, não for possível ter 100% pelo BNDES, nós complementaremos com recursos próprios", garantiu.
A intenção da DAF é aumentar o índice de nacionalização com a inclusão de mais 20 fornecedores brasileiros no primeiro ano da planta de Ponta Grossa, e mais 20 no ano seguinte.
A DAF garante cobertura inicial de 80% do território nacional pela rede concessionária, com 20 lojas no Brasil. Em cinco anos, a marca quer 10% de participação no mercado nacional de caminhões extrapesados.

Ponta Grossa
O diretor contou que os principais fatores que pesaram para a decisão de implantar a montadora em Ponta Grossa, "depois de seus representantes visitarem vários Estados", foram a facilidade de encontrar mão de obra, a proximidade com o Porto de Paranaguá e o Aeroporto de São José dos Pinhais.
Ele também citou uma "malha viária importante" e a presença de instituições como a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), a Universidade Tecnológica Federal (UTFPR) e o Senai.
Em relação aos benefícios concedidos pelo governo do Estado e pela Prefeitura de Ponta Grossa, ele diz que "são mais ou menos os mesmos ofertados em todos os Estados". De acordo com o diretor, a DAF terá postergação do pagamento do ICMS e redução de ISS.
Ela vai empregar 150 pessoas de início, quando sua capacidade será de produzir 5 mil caminhões por ano, por turno. Quando chegar aos 10 mil veículos, deverão ser gerados ao todo 500 empregos diretos. Somente na fábrica, estão sendo investidos R$ 200 milhões em recursos próprios. Inicialmente, serão ocupados 20% dos 230 hectares do terreno às margens da PR-151.

mockup