O vice-presidente da Monsanto para a América Latina, Francisco Diaz, disse ontem que a unidade da empresa em Uberlândia (MG) já está pronta para produzir sementes transgênicas. Ele esteve ontem em Camaçari, na Bahia, para inaugurar uma nova fábrica. Liberada pelo Ministério da Agricultura, a comercialização da soja transgênica está embargada por ação judicial.

Organizações não governamentais (ONGs) questionam a competência da Comissão Técnica de Biossegurança de recomendar o plantio de soja transgênica sem a realização de estudos de impacto ambiental (EIA/RIMA). No Congresso, tramita um projeto de lei que atribui à Comissão essa competência e valida todos os seus pareceres anteriores.

De acordo com Diaz, a Monsanto espera a liberação de todos os transgênicos no curto prazo. Segundo ele, a fábrica de Uberlândia, inaugurada em maio deste ano, já foi concebida para produzir sementes geneticamente modificadas. ''Seriam necessários três anos para adaptar uma unidade convencional à produção'', explicou. Uberlândia atualmente produz sementes de milho, sorgo e girassol. A unidade, que pode produzir 40 mil toneladas por mês, vem operando com apenas 50% de sua capacidade.

Glifosato A nova unidade da Monsanto em Camaçari produz glifosato, princípio ativo do herbicida Roundup Ready. A soja transgênica da Monsanto foi concebida justamente para resistir a este herbicida, ao contrário da convencional, que exige aplicação cuidadosa do produto. Segundo Diaz, a empresa investiu US$ 550 milhões no projeto. Nesta primeira fase, a unidade deve produzir apenas glifosato - metade será exportado para a Argentina e metade enviado para a planta da Monsanto em São José dos Campos (SP). Em 2003, a unidade será concluída, produzindo também o herbicida.

A expectativa é fabricar anualmente o equivalente a cinco mil contêineres do herbicida, metade para o mercado interno e a outra para o externo. Segundo Diaz, a Monsanto não planeja novos investimentos na construção de unidades em 2003 nos em que está presente.

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