Rio - A disparada no preço do botijão de gás nos últimos anos deveu-se, principalmente, ao aumento das margens de lucro de distribuidoras e revendedores. A conclusão é de um estudo feito por duas especialistas, uma delas da Agência Nacional do Petróleo (ANP), para a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Na pesquisa, elas identificam uma alta concentração neste setor, que facilita o exercício do poder de mercado pelas empresas.
''Os porcentuais elevados de aumento de margem aplicados em grande parte dos Estados demonstram o enorme poder de mercado que detêm as empresas distribuidoras de GLP (gás liquefeito de petróleo, nome técnico para o gás de cozinha)'', diz o texto, assinado pela especialista em Políticas Públicas Maria Mendes da Fonseca Gomes e pela coordenadora-geral de Defesa da Concorrência da ANP, Teresa Pacheco de Melo.
O estudo é um dos documentos que vêm servindo de base para o governo, em conjunto com a ANP, elaborar a nova regulamentação para o setor. O objetivo das novas regras será instituir maior competição, para, como consequência, chegar a uma redução de preço.
As duas especialistas utilizaram um índice chamado C4, no qual avaliam a participação de mercado das quatro distribuidoras líderes em cada Estado. Chegaram à conclusão que ''a atual estrutura do mercado de GLP, altamente concentrada, cria um ambiente propício para o exercício de poder de mercado.''
Em São Paulo, o índice de concentração é de 71,2%. O Estado mais competitivo é o Paraná, onde as quatro maiores abastecem apenas 69,8% do mercado. No Paraná, há uma gama maior de empresas - além das grandes, há distribuidoras médias e pequenas como Servgas, Consigaz, Maxi Chama Azul e Petrogaz. Segundo o estudo, as regiões Norte e Nordeste, justamente as menos competitivas, tiveram os maiores aumentos na margem de lucro entre dezembro de 2001 (antes da liberação dos preços) e julho de 2002. No Amazonas, por exemplo, a margem de distribuidoras e revenda chegou a subir 101% no período. Em 11 Estados, o aumento das margens ficou em torno ou superior a 40%. A inflação do primeiro semestre de 2002 foi de 2,94%, segundo o Instituto Fecomércio.

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