Brasília - O conjunto de preços administrados por contrato e monitorados (combustíveis, energia, telefonia, transportes urbanos e outros) deve aumentar 7,7% no acumulado do ano, conforme revela a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada na semana passada. A ata foi divulgada ontem.
A projeção supera os 7,4% estimados na reunião de abril, em função do forte reajuste previsto nos preços da energia elétrica residencial, que devem encerrar 2004 com aumento acumulado de 11% - acima dos 6,9% previstos pelo Copom, em março, e dos 8,5%, em abril.
O colegiado do Banco Central manteve, porém, a projeção para os demais preços. É o caso da gasolina e do gás de cozinha, que devem aumentar 9,5% e 6,9%, respectivamente, apesar das incertezas no mercado internacional de petróleo. A recuperação de preços, como a majoração de anteontem, já está embutida nas expectativas.
A ata do Copom menciona que os choques identificados e seus impactos foram reavaliados de acordo com as novas informações disponíveis, e todas as simulações indicam que não haverá alterações também nas projeções de preços de telefonia fixa, com aumento previsto de 6,7% ao longo do ano.
Os dirigentes do BC entendem que no cômputo geral as perspectivas de inflação apontam para a meta anual de 5,5%, ou ''ligeiramente superior'' a isso, tendo em vista a desaceleração na alta do conjunto dos preços livres. Esse movimento possibilitou a queda do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril para 0,37%, ante 0,47% de março, surpreendendo até mesmo os analistas de mercado, em razão das altas nos preços dos remédios, vestuário, leite pasteurizado, gás de botijão, energia elétrica em seis capitais e ônibus urbano em Porto Alegre e em Curitiba, além do comportamento altista dos preços industrializados no atacado.
A redução do custo dos alimentos agrícolas, ao contrário, puxou o IPCA pra baixo, com ajuda das variações negativas nos preços do álcool combustível e da gasolina, em abril, tendência que se reverte neste mês, e que ainda vai refletir os reajustes dos remédios, planos de saúde, vestuário, energia elétrica e combustíveis.

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