Momento pode ser favorável para a comercialização de commodities
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quinta-feira, 06 de agosto de 2015
Ricardo Maia<br> Reportagem Local 
A alta do dólar frente ao real é uma grande oportunidade dos produtores de grãos comercializarem a sua safra, segundo avalia Flávio Roberto de França Júnior, diretor responsável da França Junior Consultoria. Em palestra realizada ontem no Parque de Exposições Ney Braga em Londrina, o especialista em mercado destacou que mesmo com o valor atual das commodities menor no comparativo com meses anteriores, o momento é interessante para o produtor escoar a sua safra. O evento foi promovido pela Faep.
No mercado internacional de soja, por exemplo, França Júnior avalia que depois de quatro anos de sucessivas altas, o valor da commodity no momento está abaixo da média, resultado de inúmeras safras cheias obtidas nos principais países produtores do mundo, como Brasil e Estados Unidos. Segundo o especialista, os estoques internacionais estão cheios, por isso os preços da commodity estão em um patamar mais baixo em relação ao início deste ano.
França Junior avalia que o valor alto na comercialização de soja no mercado interno se deve às sucessivas altas do dólar frente ao real. Segundo ele, o câmbio é um balizador de preços no mercado interno. No Paraná, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o valor recebido pelo produtor está em R$ 61,16 a saca, registrado em julho, contra R$ 56,80/sc em junho e R$ 56,40/sc em julho de 2014. Esse valor poderia ser maior se a oferta estivesse equiparada com a demanda. O consultor observa que a demanda mundial está muito forte, mas ainda é insuficiente para cobrir a oferta.
"Para equilibrar os preços seria necessário uma quebra de safra em alguns dos países polos de produção de soja", observa.
França Junior observa que para o mercado de milho nada ainda está definido. Segundo ele, os valores daqui por diante dependerão do comportamento da safra norte-americana, já que ainda não se sabe se eles vão expandir ou reduzir a área plantada na próxima safra. O consultor avalia que o milho é um desafio porque se o produtor reter a produção agora, pode perder uma oportunidade. Mas, se a commodity for comercializada agora, o produto pode se valorizar lá na frente.
No caso do trigo, os valores têm ficado acima da média nos últimos cinco anos. Contudo, avalia ele, falta liquidez para o produto. Segundo França Junior, às vezes muitos moinhos preferem importar matéria-prima do que pagar o preço do mercado interno. De acordo com o Deral, em julho o valor da saca pago ao produtor de trigo foi de R$ 33,51, contra R$ 34,06/sc em junho e R$ 38,01/sc em julho de 2014.


