Momento não é de 'caça às bruxas'
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quinta-feira, 27 de outubro de 2005
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
O momento atual que o Paraná está passando, com as suspeitas de focos de febre aftosa, não é de ''caça às bruxas''. O mais importante agora é esclarecer a população e bloquear o suposto foco para evitar que a doença se alastre. Essa é a opinião do médico veterinário Masaru Sugai, presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Paraná. ''Somente depois de seguidos esses passos é que os culpados devem ser identificados'', afirmou.
Ele disse, ontem, que não pode explicar as causas das suspeitas do foco da doença no Estado; no entanto, afirmou que os governos federal e estadual não têm infra-estrutura e nem, tampouco, médicos veterinários suficientes em seus quadros. ''A nossa reivindicação é que aumente o número de profissionais contratados para que os programas possam ser executados com mais eficiência'', salientou.
Sobre os laudos emitidos pela Seab, que atestam a sanidade do gado comercializado em leilões, Sugai disse que não vê nenhuma falha. ''O atestado sanitário é um documento para que o pecuarista faça o transporte dos animais e consiga passar pelas barreiras, como se fosse uma carteira de sa© úde'', afirmou. Ele ainda disse que nenhuma vacina garante 100% de eficiência, e que o armazenamento, a administração e até a imunidade do animal podem influir nos resultados.
Segundo Sugai, até os sintomas podem ser confundidos. Uma estomativa vesicular bovina provoca aumento de salivação e a manqueira também pode ser ocasionada por outros fatores. O vírus da aftosa tem um período de incubação de 15 dias, até que os sintomas da doença sejam manifestados.
''Não podemos dizer que houve falhas mas o que precisaria ser melhorado é o nível de consciência de toda a cadeia produtiva. Todos têm que estar preocupados com a sanidade animal. A aftosa, por exemplo, causa prejuízos econômicos, mas temos outras doenças que podem afetar a saúde humana'', avaliou o presidente do Conselho.
Segundo ele, em qualquer lugar do mundo seria impossível fiscalizar a vacinação em todos os animais. Por isso, são desenvolvidos programas. ''Pode ser que durante esse processo alguém aja de má-fé, mas isso foge do controle'', disse. De acordo com Sugai, se for constatada falha de algum veterinário nesse processo, o caso será investigado. ''Não é possível acusar ninguém sem provas porque podemos expor a pessoa a uma situação constrangedora. Será feito um julgamento justo e com as punições estabelecidas no Código de Ética'', explicou.


