RIO - O economista Edmar Bacha, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), acredita que ainda é cedo para conclusões sobre o grau de aquecimento da economia. Sua tese é de que os indicadores divulgados até o momento não permitem uma avaliação exata do que está acontecendo no País.
A dúvida é a seguinte: até que ponto esses números não refletem, apenas, o comportamento em São Paulo? ‘‘No ano passado, falava-se em recessão com base nos dados da Federação das Indústrias de São Paulo e quando foram divulgados os resultados nacionais ficou provado que houve crescimento no resto do País’’, comentou Bacha.
Agora, o fenômeno pode estar se repetindo, só que ao contrário. Ontem, um jornal paulista publicou matéria sobre a alta de 44,9% em janeiro deste ano sobre mesmo mês de 1995 no volume de consultas ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e ao Telecheque. Os dados eram da Associação Comercial de São Paulo. ‘‘Será que isso está acontecendo em outros Estados?’’. A resposta poderá estar nos números da balança comercial de janeiro (a serem divulgados), mas a análise dos resultados vai requerer algum cuidado. Se o déficit bater US$ 1 bilhão, como espera o mercado, as chances de que o comportamento em São Paulo seja, de fato, um espelho do que se passa no País aumenta consideravelmente.

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