Momento incerto recomenda Fundos DI
Dificuldade no controle das contas públicas no Brasil e crise argentina colocam os analistas em estado de alerta
Arquivo FolhaTendência de quedaBovespa acumula alta de 69,65% no ano, o que abre possibilidade de uma futura onda de baixas O mercado financeiro atravessa um mo mento de indefinição em que o investi dor deve manter a cautela para não sofrer com os eventuais sobressaltos que podem ocorrer nos próximos meses. Os analistas estão voltando a manifestar desconfiança em relação ao empenho do governo em controlar as contas públicas.
O déficit de maio, de R$ 796 milhões, deixou má impressão. Nesse cenário, o mais indicado para o pequeno e médio investidor é uma atitude prudente, privilegiando a segurança dos fundos DI, que acompanham a oscilação dos juros. O investimento em ações só deve ser feito por quem pode aplicar por prazos longos, de um a dois anos.
O diretor de Asset Management do Credibanco, Fábio Colombo, diz que, depois que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) elevou os juros de 4,75% para 5% ao ano e mudou o viés das taxas de alta para neutro, essa questão saiu do foco do mercado brasileiro, que passou a olhar mais atentamente para o cenário interno. E os investidores não estão satisfeitos. A solução do problema estrutural das contas públicas continua distante. A balança comercial permanece deficitária.
O Congresso está em recesso parlamentar, o que significa mais tempo perdido na aprovação das reformas. E há uma crise política no País, por conta da disputa por espaço no governo. Apesar desse cenário nebuloso, Colombo entende que a tendência dos juros é de queda. A questão é que não há muito espaço para a redução das taxas, que caíram de 45% para 21% ao ano desde março. Ele acredita que, mantida a tendência, os juros podem chegar a 18% no fim do ano.
O mercado esperava que o BC utilizasse o viés de baixa depois da decisão do Fed, mas isso não ocorreu até agora. Colombo acredita que, antes de tomar essa iniciativa, o BC vai esperar a reação dos índices de preço ao aumento de tarifas públicas definido nas últimas semanas.
Nesse quadro, Colombo não hesita em recomendar os fundos DI. O eventual ganho que se pode ter nas aplicações prefixadas, que tendem a se beneficiar da tendência de queda dos juros, não compensa o risco que o investidor acaba correndo.
No cenário externo, há preocupação em relação à situação da Argentina. Alguns analistas entendem que o país terá de desvalorizar a moeda. Colombo mostra-se preocupado com uma possível correção do Índice Dow Jones. Ainda que o Fed não deva elevar os juros no curto prazo, ele diz que as ações norte-americanas já tiveram altas muito expressivas este ano, e pode acabar ocorrendo uma queda brusca na Bolsa de Nova York.
Colombo é bastante cauteloso quanto ao desempenho das Bolsas. Além de todos os fatores de indefinição mencionados, ele lembra que o IBovespa já subiu muito este ano (até a sexta-feira, 69,65%), o que poderá levar a um movimento de realização de lucros quando houver alguma notícia desfavorável.





