Momento favorece aumento recorde de importações
A dependência nacional de trigo e a recusa da Argentina em continuar exportando o grão, favoreceram um aumento recorde de importações de farinha com origem argentina. Segundo o gerente de Abastecimento de Trigo do Grupo J. Macedo (detentor da marca Moinhos Dona Benta), Irineu Pedrollo, no mês passado a Argentina exportou para o Brasil cerca de 60 mil toneladas de farinha, volume semelhante ao produzido pelo J. Macedo, o segundo maior do País. ''A Argentina virou o segundo maior grupo produtor de trigo'', ironiza.
Ele acrescenta que, atualmente, o trigo tem o maior valor em dólares da história. ''Em 2003, pagávamos R$ 730 a tonelada de trigo, mas o dólar estava cotado a R$ 3,80. Hoje, a tonelada custa R$ 680 mas o dólar está em R$ 1,95'', compara. Por isso, segundo ele, as indústrias têm necessidade de reaver seus custos, uma vez que o trigo representa entre 60% e 65% do custo da farinha. ''O mercado nacional é extremamente competitivo e estamos enfrentando uma invasão de farinha argentina, que entra subsidiada'', diz.
Pedrollo informa que o custo brasileiro para produção de farinha é de cerca de US$ 320 a tonelada, enquanto o produto argentino entra no mercado nacional por US$ 120 a tonelada. ''Não há como competir porque a diferença é de uma ordem tamanha e o Paraná é um dos Estados mais afetados devido à proximidade com a Argentina'', explica. Apesar disso, ele comenta - sem dizer os números - que o grupo vem repassando ao mercado o aumento do preço do trigo e após o segundo reajuste sentiu uma leve retração nas vendas.(F.M.)





