Primeiro, foi a disparada dos juros. Em seguida, veio a paulada dos impostos. O governo terá condições de administrar a política econômica sem mais sobressaltos? Ou outras dificuldades serão impostas à população? Para responder a essas e outras questões, a Agência Estado consultou alguns especialistas. Com a globalização e a abertura, todos reconhecem que a situação está diretamente ligada à movimentação do capital externo, de grande mobilidade. Embora arisco, ele é fundamental para os países emergentes, que se apóiam em modelos que dependem dos recursos estrangeiros para o financiamento do buraco das contas externas.
A crise no Sudeste Asiático abalou a convivência entre esses países, incluindo aí o Brasil, e o capital externo. Para evitar a sangria de recursos, o governo elevou brutalmente os juros no fim de outubro. Essa medida não se mostrou suficiente para estancar a perda de dólares. Por isso, para tentar resgatar a credibilidade do País perante a comunidade financeira internacional e obter condições de bancar o aumento da dívida pública, o governo baixou um forte ajuste fiscal no início da semana passada. Com o pacote, a expectativa é de que haja um reforço no caixa do Tesouro de R$ 20 bilhões. Uma drenagem de dinheiro do setor privado para o público, a qual deve provocar uma queda da atividade econômica e tornar o governo menos dependente de financiamento.
Em termos práticos, a conta será pesada principalmente para o assalariado e o consumidor. A economia tende a caminhar para uma recessão, com várias consequências negativas, como redução de salários, demissões, dificuldades para compras a prazo e aumento das despesas. Essa situação deve contribuir para dar mais autonomia ao País. É que, com a retração do mercado interno, cai a necessidade de importação, ao mesmo tempo que sobram mais mercadorias para a exportação - o que se traduz em mais reservas no Banco Central e menor dependência do capital externo.
Num momento como esse, o mais indicado é ser prudente na administração do orçamento, racionalizando os gastos e poupando o que for possível.

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