Momento é de cautela para investidor
PUBLICAÇÃO
domingo, 21 de junho de 1998
Agência Estado 
O momento é de cautela para o investidor: como as Bolsas passam por fortes oscilações, decorrentes de incertezas internas (o quadro eleitoral está bastante indefinido) e externas (a situação da economia japonesa continua preocupante), a renda fixa aparece como opção mais indicada. Tudo indica que os mercados de ações devem atravessar períodos de alta turbulência nos próximos meses.
Nesta semana, o mercado vai dividir sua atenção entre os desdobramentos da crise do Japão e a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), marcada para a quarta-feira. O diretor de Investimentos do Banco HSBC Bamerindus, Luís Eduardo de Assis, acredita que o Copom vai reduzir as taxas em meio ponto percentual. Com isso, a TBC (o piso do juro) cairia dos atuais 21,75% ao ano para 21,25%. A TBAN (o teto) recuaria de 29,75% para 29,25%. Já o sócio-gerente da BankBoston Asset Management, Fábio de Oliveira, aposta em manutenção dos juros, por conta do fluxo cambial negativo e das incertezas externas. Mas, ainda que as taxas sejam reduzidas, o ganho do investidor será pouco afetado, pois o corte dos juros será pequeno.
Já o cenário para as Bolsas não é dos mais animadores. Internamente, a queda de Fernando Henrique Cardoso e o crescimento de Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas desagradam ao mercado. Os investidores contavam com uma reeleição fácil para o presidente, o que implicaria continuidade da política econômica. Embora aposte na vitória de FHC, Oliveira entende que a composição da base parlamentar no eventual segundo mandato deve ser mais complicada, dificultando a aprovação das reformas.
Outro fator de instabilidade é a já iniciada batalha jurídica contra a privatização da Telebrás. Na semana passada, o TRF de São Paulo concedeu liminar cancelando a assembléia que aprovou a divisão da estatal em 12 companhias. Esse tipo de ação não costuma impedir a privatização, mas pode atrasar o cronograma de venda.
O processo de desvalorização do iene foi contido na semana passada, numa ação do Fed (banco central dos EUA) e da autoridade monetária japonesa. Mas o problema não está resolvido. Para Assis, a atuação do Fed deve ser vista como uma transição até a solução definitiva, que passa por uma profunda reestruturação do sistema financeiro do Japão. Nenhum dos dois especialistas acredita num colapso da economia mundial. Se o iene continuar a perder valor, a China e outros países asiáticos podem acabar desvalorizando suas moedas, o que tenderia a afetar o mundo todo. Não acho que isso vai ocorrer, mas o problema da região deverá ficar como uma espada sobre a cabeça do mercado ainda no próximo ano, diz Oliveira.


