Momento é de cautela
Apesar do momento de forte instabilidade nas Bolsas de Valores, o investidor que tem recursos aplicados em fundos de ações ou de carteira livre deve manter uma atitude cautelosa nos próximos dias. O diretor de gestão de renda variável da Lloyds Asset Management (LAM), Paulo de Sá Pereira, entende que, de maneira geral, o aplicador não deve sair das Bolsas no momento, para evitar perdas desnecessárias.
Nos próximos pregões, a tendência é de que os mercados acionários apresentem oscilações acentuadas, uma vez que o mercado está nervoso por conta da crise que Hong Kong atravessa.
No entanto, apesar da provável instabilidade dos próximos dias, Pereira entende que, a médio e longo prazo as perspectivas para as Bolsas são positivas. Desse modo, sacar o dinheiro num momento de nervosismo tende a ser a pior estratégia a ser adotada pelo investidor, que acaba realizando prejuízo, resgatando menos do que aplicou.
O diretor da LAM diz que, como o grau de risco dos mercados de ações aumentou, pode ser recomendável que investidores com menor tolerância a perdas reduzam a parcela de suas aplicações em Bolsa. Mas isso, ressalta, depende especificamente do perfil de cada investidor.
Ele também aconselha cautela a quem está pensando em investir em ações. De acordo com Pereira, quem não tem dinheiro na Bolsa deve esperar o fim do período de turbulência antes de aplicar nesses mercados.
O diretor da LAM acredita que Hong Kong conseguirá sustentar a cotação de sua moeda, o que dará tranquilidade ao mercado financeiro internacional. Por esse raciocínio, passada a atual fase de nervosismo nas Bolsas, a perspectiva do investimento em ações tende a voltar a ser positiva.
A expectativa de aceleração do processo de privatizações é o principal fator de estímulo das Bolsas. Na semana passada, o ministro das Comunicações, Sérgio Motta, deu mais detalhes sobre o modelo de privatização do sistema Telebrás. Pereira afirma que, embora não tenha trazido grandes novidades, a entrevista de Motta foi um fato positivo. Ainda que nem tudo esteja detalhado, o que foi divulgado diminui a incerteza sobre a venda das estatais de telecomunicações. Além disso, começa efetivamente o processo de privatização do setor, diz.





