Momento é bom para comprar carro
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de setembro de 1998
Agência Estado 
A queda de até 40% nas vendas de carro, ocorrida por conta da puxada dos juros promovida pelo governo, está obrigando as revendas a fazer uma verdadeira liquidação do seu estoque, que continua elevado. Preços promocionais e parcelamento do valor da entrada em até seis vezes são alguns dos recursos que estão sendo utilizados pelas concessionárias para tentar compensar o custo mais elevado do financiamento e atrair o consumidor.
Até mesmo o aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), decorrente do fim da redução da alíquota em dois pontos porcentuais na semana passada, que resultaria em uma elevação de até 5% no preço final do veículo, não será repassado para o consumidor, segundo garantem alguns profissionais do setor.
Embora a redução da parcela seja pouco significativa, em alguns casos, os gerentes de vendas apostam que as promoções devem, pelo menos, reduzir o ritmo de retração das vendas. Uma concessionária da Ford de São Paulo está dando desconto médio é de 5%. Se financiar em 24 meses a compra de um Ka 1.0, o comprador vai pagar uma parcela de R$ 547,38, com desconto, e de R$ 575,00, sem o benefício. Em revenda da VW, o valor da parcela do financiamento de 24 meses de um Gol 1.0 é de R$ 439,00, sem promoção, e de R$ 368,00, com ela. Já o consumidor que dividir a compra de um Corsa Wind em 24 meses pode pagar um parcela promocional de R$ 624,78. Sem a promoção, esse valor sobe para R$ 686,92. Em outra revenda, da Fiat, sem a promoção o valor da parcela de um financiamento de 24 meses de um Uno Mille é de R$ 563,00. Com os benefícios, esse valor cai para R$ 452,00. Nessa revenda, há um bônus de R$ 1 mil.
Mas os resultados das vendas das últimas semanas mostram que o consumidor ainda está cauteloso em financiar a compra do veículo. As vendas parceladas de uma revenda da VW de São Paulo caíram de 60% para 20% e as à vista subiram de 40% para 80%. O mesmo movimento foi observado na revenda da Ford, em que os negócios a prazo encolheram de 90% para 50% e os à vista cresceram de 10% para 50%.
Na avaliação de economistas, o consumidor que for parcelar a compra do carro deve esperar um pouco mais para fechar o negócio. Isso porque os juros mensais, que antes da crise giravam em torno de 2,5%, agora podem superar 4%. Para quem pode bancar o preço à vista, a dica é ficar de olho nas promoções que estão sendo oferecidas e só fechar negócio quando realmente concluir que existe vantagem financeira.
Devem ser evitados também os financiamentos pós-fixados. É que o valor da parcela varia de acordo com os juros de mercado, os quais têm apresentado oscilações expressivas. Isso impede que o devedor tenha controle sobre a sua dívida.


