Momento difícil para a indústria moveleira
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Erika Zanon<br>Reportagem Local 
A crise financeira que assolou a economia mundial e que não pára de revelar surpresas bombásticas a última foi o golpe da pirâmide Madoff vai sorrateiramente atingindo diversos setores. Em Arapongas, Norte do Paraná, onde está localizado um dos maiores pólos moveleiros do País, já foram demitidos quase 1 mil trabalhadores do setor, desde setembro, quando a crise deu os primeiros sinais. O número, segundo o Sindicato de Trabalhadores da Indústria Moveleira, representa 20% a mais que o mesmo período do ano passado. O problema atinge as pequenas e médias empresas. Algumas até já fecharam as portas.
Os efeitos da crise chegaram tão fortemente no setor que o número de indústrias que estão concedendo férias coletivas para seus funcionários nunca foi tão alto, segundo o presidente do sindicato, Manoel Francisco da Silva. Estou no sindicato há 30 anos, já passamos por várias crises, mudanças de governo, mas nunca foi uma situação tão crítica, lamentou.
Dados do sindicato apontam que desde setembro deste ano foram demitidos mais de 960 trabalhadores. Em 2007, no mesmo período, o número chegou a 791. Outubro foi o mês em que mais ocorreu desligamentos: 353. Setembro, quando os primeiros problemas financeiros mundiais começaram, foram demitidos 249. No mês de dezembro, até ontem, haviam registros de pouco mais de 100 demissões. O número só não foi maior este mês porque muitas indústrias optaram pelas férias coletivas, acredita Silva.
Ele comentou que muitas empresas, pequenas e médias, já estavam enfrentando alguns problemas antes mesmo de eclodir a crise mundial. Depois disso, algumas até encerraram as atividades. Segundo o presidente do sindicato dos trabalhadores, no ano passado também aconteceram demissões, porém não havia empresas fechando e um cenário futuro negativo. Ainda havia muitas contratações, uma busca muito grande por mão-de-obra qualificada, tínhamos cartazes aqui no sindicato procurando por profissionais. Este ano, isso não está acontecendo, enfatizou.
Silva contou que, este ano, a luta do sindicato tem sido para que os funcionários demitidos pelo menos recebam tudo o que têm direito. Algumas empresas que já fecharam estão fazendo acerto com os bens disponíveis, como automóveis e máquinas, revelou o sindicalista, tentando mostrar o quadro real da crise. O sindicato também tem feito um trabalho muito forte no sentido de tentar manter os trabalhadores em atividade. Estamos fazendo muitas negociações. Nossa preocupação é onde e quando vai terminar essa crise?, questionou. De acordo com o sindicato, o segmento emprega perto de 10 mil funcionários em Arapongas.


