Momento ainda exige cautela
Arquivo FolhaMELHOR CAMINHOPaís precisa criar uma cultura exportadora capaz de garantir crescimento econômico mais seguroO cenário que se vislumbra para este ano certamente é animador, especialmente se comparado ao do ano passado, mas ainda existem motivos para cautela. O economista-chefe do Banco Bilbao Vizcaya (BBV) Brasil, Octavio de Barros, por exemplo, entende que as condições para a retomada imediata do crescimento ainda não estão asseguradas. Para isso, segundo ele, é preciso que o País dê sinais claros de mudanças mais ousadas na responsabilidade fiscal e na criação de uma cultura exportadora capaz de garantir crescimento seguro.
‘‘Este é um ano de transição para o Brasil e, portanto, carrega algumas incógnitas’’, afirma o economista do BBV. O maior desafio, porém, é ter crescimento econômico com índices baixos de inflação, pois é nela que residem dúvidas.
Em 2000, os agentes econômicos deverão olhar com bastante atenção o indicador do déficit nominal público (que expressa a necessidade de financiamento do setor público) porque será bastante alterado em relação a 1999. O mercado estima para o ano uma taxa de 4,3% do PIB) bem inferior aos 9,8% do ano passado.
Em relação à bolsa, Fernado Exel, da consultoria Economática, ressalta que as análises devem ser feitas com reservas, especialmente sobre o interesse dos estrangeiros pelos ativos brasileiros, que ficaram mais interessantes aos estrangeiros com a desvalorização cambial. ‘‘Mas não se deve esquecer que o Brasil inteiro empobreceu e o lucro, em dólar, caiu. O impacto dos resultados no conglomerado mundial é menor’’.
Fora as questões ligadas à política econômica do País, alguns fatos devem contribuir para mudar o perfil do mercado acionário. Entre eles, as mudanças na Lei das Sociedades Anônimas, que podem ser aprovadas ainda neste semestre. Uma importante alteração seria a permissão para que os acionistas donos de 15% das preferenciais de uma empresa possam indicar membros do conselho de administração. ‘‘Isso deve fortalecer os minoritários’’, diz o deputado federal Emerson Kapaz (PPS-SP), autor do projeto de lei.
A Internet também vem sendo vista como um estímulo às bolsas. O Brasil é o maior mercado latino de Internet e várias instituições financeiras já anunciaram planos de oferecer ampla oferta de produtos para investimentos via rede.

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