Mola parabólica sintoniza Aesa a mercado
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quinta-feira, 24 de abril de 2008
Edson Pereira Filho<br> Reportagem Local 
O transporte de cargas registrou no ano de 2007 um aumento de 25% na venda de caminhões em relação a 2006 - foram 133 mil veículos comercializados no ano passado e 106 mil unidades em 2006. A retomada do crescimento nas vendas de veículos pesados aconteceu depois que o setor agrícola registrou altos índices na produção de grãos em 2007. A demanda de caminhões somada à reposição de peças tem exigido de empresários do setor maiores investimentos, sem com isso aumentar custos. A Aesa, empresa de Cambé (13 km a oeste de Londrina), atenta aos novos tempos de economia em ascensão, resolveu inovar na produção de feixes de molas para não ficar de fora das exigências de mercado.
O novo produto da empresa, a mola parabólica, lançado este ano, ajusta a produção às exigências das empresas montadoras de caminhão. Os veículos já saem das montadoras com o equipamento. O investimento da empresa foi da ordem de US$ 1 milhão e já tem um mercado externo ávido pelo produto.
Internamente, a empresa continua, paralelamente, a produção de molas convencionais, mais resistentes para as estradas esburacadas do País. Atualmente, transitam pelo Brasil 1,2 milhão de caminhões, somado ainda aos quase 300 mil ônibus, que também utilizam o feixe de molas.
O mercado forte de molas parabólicas ainda está no exterior, segundo André Bearzi, diretor comercial da Aesa, o terceiro na sucessão da família, que iniciou o negócio em 1.950. Cinquenta e oito anos depois, os caminhões trafegam com até 60 toneladas de carga, diferente do velho Chevrolet Gigante importado, caminhão famoso da década de 50, que suportava não mais do que 3 mil quilos. O aumento da capacidade de carga se explica pelo investimento em tecnologia, buscado pela empresa nas universidades Federal do Rio Grande do Sul, Federal de Santa Catarina e a de Caxias.
Tendo mão-de-obra especializada, matéria-prima no País e tecnologia adequada, a Aesa já exporta a mola convencional para países de América Latina e África. Mas a fatia importante no mercado mundial está na Europa para onde a empresa pretende exportar a mola parabólica. Países como Alemanha e a Itália são os próximos mercados a serem conquistados. ''Estamos negociando com o oriente médio também'', acrescenta.
Embora as molas parabólicas já existam há 40 anos no mundo, no Brasil seus solavancos incomodam mais o bolso. O preço 30% mais caro do que a mola convencional, faz da parabólica um bom negócio para a empresa, que utiliza menos aço do que no feixe de mola convencional. ''No restante do mundo falta esta mola, tem muita procura. Temos então, muito espaço para crescer'', avalia Bearzi.
Apesar do dólar baixo, o empresário calcula que o volume de negócio no exterior será triplicado com a comercialização da mola parabólica. Atualmente, a empresa vende 9 mil toneladas por ano de mola convencional. ''Temos inúmeros concorrentes lá fora, a diferença é que nossa produção e matéria-prima tem um custo bem menor'', sintetiza.
Ter a mola convencional e parabólica, segundo Bearzi, credita à empresa maior respeitabilidade na hora de negociar no exterior. ''Os importadores nos olham com respeito'', afirma.
Parabólica
A tecnologia consiste em afunilar as extremidades das lâminas do feixe, diminuindo em até 30% o uso de aço na formação da mola. ''Você economiza material, apesar da mola parabólica trabalhar no limite da sua resistência'', pondera o diretor da Aesa.
Empresa
Cinquenta por cento da produção da Aesa, 4,5 mil toneladas, é para produção de feixes de mola convencional para caminhão e ônibus. Outros 25%, para produção de molas para implementos agrícolas, correspondendo a 2,25 mil toneladas. Para o exterior, são exportados 25% da produção para América Latina e África, 2,25 mil toneladas entre molas convencionais e parabólicas. Quatro outras empresas brasileiras disputam o mercado nacional.


