O preço da farinha de trigo ao consumidor final vai aumentar entre 12% e 15% no curto prazo. A alteração no preço é única reação dos moinhos para fazer frente ao aumento dos custos de importação do grão, disse ontem Roland Guth, presidente do Sindicato dos Moinhos de Trigo do Paraná. Segundo ele, os moinhos foram surpreendidos pela desvalorização cambial e precisam pagar em dólar as cartas de crédito que estão vencendo.
Os moinhos brasileiros vinham comprando trigo na Argentina num rítmo escalonado desde a primeira semana de janeiro. Com o anúncio da desvalorização da moeda, os compradores dos moinhos brasileiros que estão na Argentina se retraíram com os negócios. A expectativa é que eles voltem às compras na próxima segunda-feira, se não houver mais mudanças no cenário econômico, disse o analista da agência Safras e Mercados, Gil Carlos Barabach. O técnico não acredita em retração nas compras, mas disse que agora abre uma temporada de corrida por produto mais barato. Certamente os industriais vão procurar outros mercados, onde a cotação do trigo e a infra-estrutura de transporte for mais barata, disse.
O analista da agência Safras e Mercados colocou em dúvida a capacidade da indústria em repassar o aumento de preços porque a demanda não está aquecida. Segundo Barabach o mercado já deu indícios que não suporta uma alta de preços e o consumidor já comprovou que poderá migrar para produtos mais baratos diante de qualquer reação nos preços da farinha de trigo. A farinha de trigo está sendo comercializada entre R$ 18,00 e R$ 20,00 a saca de cinco quilos, dependendo da qualidade do produto.
Guth, do Sindicato dos Moinhos, estava bastante apreensivo, ontem. Ele lamentou a decisão do governo de mexer na política cambial, argumentando que o governo garantia insistentemente que não ia mexer no câmbio. Segundo ele, os moinhos têm dívidas em dólar e com isso, elas aumentaram 9% de um dia para o outro, provocando um impacto forte no setor. ‘‘ A única saída para a maioria das empresas que está sem capital de giro é aumentar os preços’’, avisou.
Guth não acredita, no entanto, que a decisão de repassar o aumento de custos para o preço da farinha, vá aumentar muito os preços para o consumidor final. Ele citou como exemplo o preço do pãozinho, onde o custo da farinha incide em apenas 20% no custo final do produto. Nos demais produtos derivados da farinha de trigo, os preços também ficam diluídos, emendou. Em função disso, Guth não acredita em retração do mercado e disse que a previsão de importar seis milhões de toneladas do produto está mantida.

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