A compra de trigo da Argentina pelo Brasil ficou praticamente paralisada quando o governo do país vizinho decidiu impor o Imposto de Exportação de 20% sobre o produto. Em protesto, os produtores argentinos suspenderam suas vendas.
Segundo o vice-presidente financeiro do Sindicato da Indústria de Trigo do Estado de São Paulo, Christian Mattar Saiger, os estoques duram ainda de 30 a 40 dias. Ele disse que problemas de abastecimento poderão ocorrer se não for normalizado o comércio com a Argentina até o dia 1º de maio. O Brasil consome 10 milhões de toneladas de trigo por ano - dos quais 7,5 milhões vêm da Argentina -, gastando cerca de US$ 1 bilhão ao ano.
Na semana passada, o Comitê de Gestão da Camex (Gecex) aprovou a criação de um grupo especial, formado por integrantes do governo, que poderá baixar temporariamente as alíquotas da TEC em caso de desabastecimento de produtos no mercado interno. As decisões desse grupo não precisam passar pela Camex. Na ocasião em que anunciou a medida, Giannetti citou o trigo como um exemplo de produto passível de ter suas alíquotas reduzidas por esse grupo.
O ministro da Agricultura defendeu ainda o estímulo ao cultivo nacional de trigo. ‘‘Precisamos acabar com essa dependência externa’’, alertou Pratini.
Segundo ele, a próxima safra de trigo deverá ficar em torno de 3 milhões de toneladas, e até 2004 essa produção deverá atender metade do consumo brasileiro do produto.

mockup