Moinhos reiniciam compras da Argentina
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quarta-feira, 06 de janeiro de 1999
Vânia Casado 
As indústrias moageiras devem voltar a comprar trigo no mercado argentino nos próximos dias, após o período de fim de ano. Em dezembro, as indústrias se abasteceram com as aquisições da produção nacional via PEP - Prêmio de Escoamento do Produto e com as importações. A partir deste mês, os moinhos se voltam para o mercado argentino, apesar do país colher uma produção menor do que o ano passado, quadro que sinaliza uma recuperação nos preços do grão a partir de março, disse o analista Gil Carlos Barabach da agência Safras e Mercados, de Curitiba.
A tendência é de agilização nas importações a partir deste mês. A safra da Argentina caiu de 15 milhões de t no período 97/98 para 10,5 milhões de t no período 98/99. Este indicativo combinado com a redução da produção mundial e dos estoques mundiais de trigo deve resultar em alta no preço desta commodity, concordou Nelson Costa, assessor econômico da Ocepar. Os estoques internacionais caíram de 137 milhões de t na safra passada para 123 milhões na safra 98/99.
Costa prevê que para o mês de março o trigo na Argentina deverá estar cotado a US$ 120/t, o que corresponde a uma ligeira alta em relação ao preço atual. Os moinhos estão pagando entre US$ 110 e US$ 112 a t, fora os custos de frete e internação do produto, avaliados em mais US$ 20/t.
Mas quem vai determinar o preço do trigo argentino nos próximos meses será o comportamento do comprador de fora do Mercosul, disse Barabach. Segundo ele, se países como Iraque, Irã e Indonésia recorrerem à Argentina para comprar trigo, certamente a oscilação de preços ficará mais nervosa.
Barabach explicou que este ano o saldo exportável da Argentina está extremamente curto, em torno de 5,5 milhões de t, volume insuficiente para cobrir a demanda de importação do Brasil avaliada em 6,5 milhões de t, entre grão e farinha. Com isso, certamente o país terá que ir em busca de outros mercados, avaliou.
Apesar da queda da produção internacional de trigo nesta safra e a tendência de reação nos preços, os brasileiros ainda não manifestaram interesse em produzir mais trigo na próxima safra.Eles estão imunes a estes indicativos favoráveis em função das facilidades de prazo de pagamento e juros baixos nas importações, justificou o técnico da Secretaria da Agricultura, Otmar Hubner.
A previsão para este ano é que o país importe em torno de 6,2 milhões de t de trigo para abastecer o mercado nacional que etá consumindo em torno de 8,5 milhões de t por ano. O país deverá desembolsar US$ 1 bilhão, o mesmo volume de recursos desembolsado em 1998.


