Moinhos de trigo sofrem com falta de matéria-prima
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terça-feira, 23 de outubro de 2012
Ricardo Maia <br> Reportagem Local 
Florianópolis - O Paraná deixou de ser pela primeira vez autossuficiente na produção de trigo convencional. A informação é do presidente do Sindicato da Indústria do Trigo do Paraná (Sinditrigo), Marcelo Vosnika, em entrevista concedida ontem à FOLHA durante o XIX Congresso Internacional do Trigo, evento promovido pela Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), que termina hoje em Florianópolis (SC). Segundo o dirigente, a redução no plantio do cereal no último ciclo de inverno foi um dos fatores que culminou na oferta insuficiente para atender os 82 moinhos paranaenses.
Vosnika afirma que as indústrias paranaenses consomem em torno de 2,5 milhões de toneladas de trigo por ano. Até o ano passado, 85% da demanda dos moinhos pela matéria-prima era gerada dentro do Estado. Os outros 15% são de variedades do tipo melhorador, que não são cultivadas no Paraná. ''Em safras anteriores sobrava trigo, agora teremos que importar'', lamenta o presidente do Sinditrigo.
De acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a produção de trigo da safra 2011/12, que está no fim da colheita, foi de 2,13 milhões de toneladas, 13% a menos se comparado com o ciclo anterior. O motivo principal dessa queda foi a redução de 28% na área plantada com o cereal no Estado em relação ao ciclo 2010/11. O trigo perdeu espaço para o milho, cujo preço estava mais atrativo ao produtor. No total, o Paraná plantou neste ano pouco mais de 760 mil hectares com o cereal.
Vosnika explica que a saída para suprir as necessidades da indústria paranaense é aumentar as importações, incluindo o Paraguai, seu principal fornecedor. ''O país vizinho deve exportar neste ano 510 mil toneladas. Desse total, 200 mil toneladas tem como destino o Paraná'', enfatiza Vosnika. Contudo, por causa dessa baixa oferta, os preços do produto seguem aquecidos. De acordo com dados do Sinditrigo, o valor da tonelada paga ao produtor tem girado em torno de R$ 630.
Esse valor, completa Vosnika, tende a manter-se elevado até fevereiro do próximo ano. A partir daí, quando começar a faltar produto no mercado, os preços deverão se elevar ainda mais. Para o ciclo 2012/13, o presidente do Sinditrigo estima um aumento de área para o plantio do cereal, motivado, novamente, por esses bons preços. Esse fenômeno é semelhante ao que ocorreu no inverno neste ano com o milho. Devido à quebra da safra americana, faltou produto no mercado, o que disparou o preço do grão e incentivou o plantio de milho no Brasil.
Com todo esse movimento do mercado, reajustes por causa da falta de trigo também atingem o consumidor final. Segundo Anderson Silva, da Corretora Ayres, de Porto Alegre, os custos já estão sendo repassados para o varejo.
Indústria
Claudio Zanão, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias, Pão e Bolo Industrializados (Abima), destaca que a baixa produção de trigo não só no Paraná, mas em todo o País, já está afetando o mercado. ''Devido à falta de farinha, por exemplo, o preço do macarrão subiu 3% em apenas três meses'', destaca. Zanão acrescenta que quanto menos o produtor planta, mais caro fica para a indústria produzir, já que os moinhos precisam aumentar as importações.
n O jornalista viajou a Florianópolis a convite da Abitrigo



