A unidade fabril dos Moinhos Globo, instalado em Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina), já trabalha com parte de sua capacidade ociosa. A indústria, que é a terceira maior do Paraná - já reduziu a sua produção para 350 toneladas diárias, quando a capacidade total é processar até 450 toneladas por dia. Com isso, há uma redução na produção de 28%. A queda na produção não ocorreu exatamente devido ao aumento do preço do trigo, mas devido ao que a indústria chama de ''concorrência desleal''.
''Está difícil concorrer com a farinha argentina'', afirma Rui Marcos de Souza, gerente de Suprimentos dos Moinhos Globo. Segundo ele, entre 2001 e 2006 a indústria utilizava somente o trigo nacional. No entanto, a queda na produção do ano passado ocasionada pela estiagem levou o moinho a importar o grão da Argentina a partir do início de 2007. Atualmente, 35% do trigo processado é argentino. Por enquanto, também não houve demissões na indústria. ''A diretoria está relutando, mas não sabemos até quando isso vai durar'', comenta. O quadro de funcionários de 160 pessoas.
Além disso, o custo da farinha ao consumidor final também não foi reajustado. ''O preço do trigo está subindo devido à escassez, enquanto o preço da farinha tem se mantido porque segue as leis da oferta e da procura'', observa Souza. Sem revelar os números, ele diz que o moinho já registra queda no volume comercializado. Por enquanto, a saída encontrada para enfrentar a crise é investir em outros itens como mistura para bolos e para pães especiais até para agregar valor aos produtos do moinho. (F.M.)

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