Moedas terão personagens da História
Wilson Pedrosa/Agência Estado
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Sem criatividadeO diretor de Administração do BC, Carlos Eduardo Tavares, com os modelos das novas moedas do real: símbolos tradicionaisO resultado da pesquisa realizada para a escolha da nova família de moedas do real, divulgado ontem no Rio de Janeiro provou que a população brasileira é conservadora, gosta de símbolos tradicionais e vota no que já conhece. O vencedor do concurso de desenhos para a nova moeda, que começa a circular a partir do dia 1º de julho, foi a Casa da Moeda. Muito bem feita, mas sem qualquer criatividade, a Casa da Moeda apostou nos vultos históricos, que já estamparam antigas cédulas, para a nova família. No verso das novas moedas estarão as figuras de Pedro Álvares Cabral, Tiradentes, D. Pedro I, Deodoro da Fonseca, Barão de Rio Branco e a efígie da República.
A pesquisa, encomendada pelo Banco Central à agência Denilson de propaganda, foi realizada em 32 cidades brasileiras e pegou todos os segmentos representativos da sociedade brasileira. Os votos válidos foram apurados entre 3.960 pessoas, sendo que o desenho da Casa da Moeda foi escolhido com larga margem de diferença dos dois outros concorrentes, obtendo 57% da preferência. Entre os jovens, na faixa etária de 14 a 19 anos, o desenho da Casa da Moeda obteve 73% da preferência. As duas pesquisas feitas para a escolha do desenho da nova família de moedas e mais o concurso custaram ao Banco Central R$ 427,5 mil.
Segundo o diretor de Administração do Banco Central, Carlos Eduardo Tavares de Andrade, a substituição das atuais moedas em circulação pela nova família, com cores, tamanho e desenhos diferenciados, será feita gradualmente, ao longo de cinco a seis anos. Em 1º de julho o BC coloca em circulação 250 milhões de novas moedinhas. Ano a ano, entre 800 milhões e um bilhão de novas moedas entram no mercado para substituir a velha família. O diretor do BC avisou que não haverá recolhimento da moeda atual, o que significa que ninguém precisará ir aos bancos para trocar a moeda velha pela nova. A substituição gradual será feita pelo BC na rede bancária, de acordo com a velocidade de produção da nova moeda.
Carlos Eduardo Tavares de Andrade explicou que o custo de produção da nova moeda é, em média, 37,5% superior ao da atual família. Isso deve-se, basicamente ao material, desenho e tamanho da nova moeda. Enquanto que o custo da nova moedinha de um centavo é apenas 9% superior à atual, a de R$ 1,00 custará 200% mais. O milheiro da atual família de moedas sai, para o BC, por R$ 48,00 e o da nova família custará R$ 63,00. Em seis anos, de acordo com o diretor do BC, o custo de troca da nova moeda será de R$ 326 milhões.
Dinheiro de plástico O diretor do BC também anunciou que o Banco Central colocará em circulação, no ano 2000, em comemoração aos 500 anos do descobrimento do Brasil, 100 milhões de cédulas de plástico de R$ 5,00. O dinheiro de plástico, utilizado na Austrália, já está sendo confecciondo, experimentalmente, no Brasil. Com a cédula comemorativa, que terá curso normal, o BC quer testar a durabilidade do novo dinheiro, que é mais caro do que o de papel-moeda. Dizem, que a durabilidade do dinheiro de plástico é quatro vezes maior, afirmou o diretor do BC.
A nova família de moedas - de R$ 0,01, R$ 0,05, R$ 0,10, R$ 0,25, R$ 0,50 e R$ 1,00 - será confecionada em cobre, latão e numa liga de cobre com níquel, chamada de cupro-níquel. As moedas de R$ 0,01 e R$ 0,05 serão feitas de cobre. A moeda de um centavo tem a figura de Cabral e a de cinco centavos tem a figura de Tiradentes. As moedas de 10 e 25 centavos serão de latão e as figuras são de D. Pedro I e de Deodoro da Fonseca, respectivamente. A moeda de cinquenta centavos, com a figura do Barão de Rio Branco, será confeccionada com cupro-níquel e a moeda de um real, a mais sofisticada, com a figura da efígie da República, terá duas cores. Ela é dourada por fora e prateada por dentro.





