O aprofundamento do Mercosul pode esbarrar em um sério impasse, a julgar pelos debates ocorridos no seminário Coordenação de Política Macroeconômicas e Cooperação Monetária no Mercosul, realizado ontm no Rio de Janeiro e promovido pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri).
Segundo o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Iglesias, ‘‘a união monetária é um desdobramento inevitável do aprofundamento do esquema comercial do Mercosul’’. Para diversos expositores, porém, os regimes cambiais opostos do Brasil e da Argentina tornam o projeto da moeda comum praticamente inviável, ou
desinteressante.
O presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, disse que regimes cambiais diferentes podem coexistir desde que cada país administre o seu regime de forma coerente. Ele afirmou que o Mercosul é merecedor de uma moeda própria e que esse é um processo de longo prazo. Fraga acrescentou ainda que a coexistência de regimes cambiais diferentes no Brasil e na Argentina tem colocado um peso desproporcional nos ombros do Brasil, talvez por ser o maior PIB da região, talvez por ter buscado seu próprio padrão monetário.
O secretário de Finanças do Ministério da Economia da Argentina, Daniel Marx, afirmou que, ‘‘se a Argentina escolhe só o padrão dólar, perderia a soberania e um sócio importante, que é o Brasil’’. Além disso, disse, ‘‘é um direito do cidadão escolher a sua moeda.’’