Moeda pode chegar a R$ 4
Wilson Ramião, economista do Lloyds TSB, avalia que, com o perigo da inflação, faz-se necessário o uso da política monetária adequada para detê-la. ''Não adianta querer controlar a alta dos preços com uma elevação de um ponto da Selic. A alta terá de ser de pelo menos dois pontos.''
Somada à contínua instabilidade política há os problemas do dia-a-dia no mercado deste mês. No dia 12, vencem US$ 1,7 bilhão em dívida cambial do governo. O BC deverá iniciar a tentativa de rolagem na próxima semana. Dependendo das taxas pedidas pelo mercado para manter os papéis, o dólar pode subir ainda mais.
Ainda em dezembro, há o vencimento de mais de US$ 2 bilhões em dívida do setor privado no mercado internacional, o que contribui com a maior procura pela moeda.
Há meses, devido à instabilidade do cenário político, com o ano eleitoral, as empresas brasileiras têm sérias dificuldades de renovar seus débitos. Em outubro, as companhias completaram a rolagem de apenas 7% dos vencimentos. Na média do ano passado, por exemplo, elas renovaram mais de 95%.
Como não conseguem completar a rolagem, compram dólares no mercado para quitar as dívidas. ''Começamos a sentir no mercado compradores que estavam ausentes nas últimas semanas. Acho que o dólar vai alcançar rapidamente os R$ 4,00 mais uma vez'', diz Sérgio Machado, diretor de tesouraria do banco Fator.





