São Paulo - Esqueça a desvalorização cambial e a inflação. Nas regiões de comércio popular, há uma categoria de lojas em que o real ainda é moeda forte. Nelas, mesmo quem tenha uma única moeda ou nota de R$ 1 no bolso nunca sai de mãos abanando. Por esse valor, é possível, por exemplo, levar para casa dois copos de vidro ou um um carrinho de brinquedo de fricção. Ou uma chave de fenda. São as lojas de R$ 1 (às vezes chamadas de lojas R$ 1,99). Criadas no início do Plano Real, viraram um dos símbolos da estabilidade econômica.
As lojas de R$ 1 têm apelo totalmente popular. Vendem produtos de plástico, ferragens, utilidades domésticos e salgadinhos, balas e doces de marcas desconhecidas. Boa parte dos produtos tem preços entre R$ 2 e R$ 5.''Eu adoro. Passo por aqui pelo menos duas vezes por semana e sempre levo alguma coisa'', conta a dona de casa Hélia Lopes de Mesquita. Em média, gasta R$ 5 por compra.
As lojas R$ 1 ou R$ 1,99 seguem um modelo criado nos Estados Unidos na década de 50. A idéia surgiu quando comerciantes americanos passaram a comprar produtos sem marcas e a vendê-los em galpões simples por apenas US$ 1. Foi o ponto de partida para redes gigantescas como Dollar General e Dollar Family, que têm mais de 5 mil lojas cada. Com a chegada do real foi possível trazer esse tipo de comércio para o Brasil. A primeira loja surgiu em Florianópolis em 1995, fundada por um argentino.
Calcula-se que existam 18,5 mil lojas desse tipo espalhadas pelo País. Recebem, em média, entre 500 e 800 compradores por dia, que gastam uma média de R$ 4. (AE)

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