Modelo sucroalcooleiro do Brasil começa a se esgotar
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quinta-feira, 10 de março de 2005
Agência Estado 
Araçatuba - O modelo sucroalcooleiro brasileiro, mais competitivo do mundo na produção de açúcar e de álcool, começa a se esgotar, justamente quando passa a ser copiado por países concorrentes desenvolvidos, como os Estados Unidos e os europeus. A constatação da necessidade de busca por um novo modelo, no qual deverão ser priorizados investimentos em pesquisas e em energia, foi o tema central do seminário ''Pesquisa e Desenvolvimento, Pré-requisitos da Vanguarda e Competitividade'', que encerrou o ciclo de palestras da Feira de Negócios da Agroindústria Sucroalcooleira, ontem, em Araçatuba (SP).
O atual modelo de pesquisa e desenvolvimento surgiu na década de 70 com forte incentivo do governo federal e criou uma comunidade de cientistas financiada pelo poder público para o setor sucroalcooleiro. Entre os ganhos, está a produtividade da cana-de-açúcar, que cresceu 60% desde então, o que torna o Brasil imbatível nos custos de produção de derivados. Com a saída do governo do controle do setor sucroalcooleiro, em 1996/1997, as empresas tiveram de assumir as pesquisas e seguiram colhendo dividendos até agora.
''Existia uma política de desenvolvimento de tecnologia de preocupação intensa com a qualidade e esse momento se esgotou hoje. É fundamental que montemos um esquema de sustentação para o setor'', disse Werther Anniccino, um dos idealizadores do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) e atual conselheiro da entidade que, assim como o setor, nasceu fomentada pelo governo e agora é gerida pela iniciativa privada. O seu orçamento anual de pesquisa, que superou US$ 70 milhões por ano, deve ficar em torno de US$ 10 milhões na safra 2005/2006.
Para o presidente da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, o fato de o preço mundial do açúcar cair 2% ao ano e o preço da energia aumentar no mesmo porcentual reforça a necessidade de se repensar o setor. ''Se pensarmos ainda que só um terço do caldo da cana processada hoje é totalmente explorado, temos de imaginar que existem outras alternativas, como outros derivados'', disse Carvalho. O presidente da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool, explicou que países desenvolvidos, como Alemanha, já estão investindo pesado em tecnologia de ponta ''enquanto nós estamos olhando no retrovisor''.
Para Carvalho, o Brasil só está à frente dos concorrentes por causa do sistema de produção integrada, desde a pesquisa até o comércio. ''Mas essa liderança do País vai ser cada vez mais apertada daqui para frente'', disse. O executivo cobrou ainda do governo federal uma definição da matriz energética brasileira e do papel dos biocombustíveis nela. ''Não há uma projeção do governo e nós ficamos entre nós discutimos esse assunto dentro do setor'', explica.
Já o presidente do CTC, Roberto Rezende Barbosa, defende o aumento do quadro de pesquisadores. ''Para sustentar o sucesso, não podemos desviar a atenção da tecnologia que vem aí e olhar dez, vinte anos adiante'', completou.


