Modelo luxo mantém boas vendas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 16 de novembro de 1998
Arthur Peeira Filho Agência Folha 
As vendas de carros novos despencaram no mês passado, mas a queda não atingiu todos os modelos com a mesma força.
Pela primeira vez desde a entrada no mercado dos carros populares , em 93, um dos automóveis mais luxuosos produzidos no país - o Vectra, da General Motors - aparece entre os três mais vendidos na relação divulgada pelos fabricantes.
A montadora entregou à rede de concessionárias em outubro 6.370 modelos Vectra, desempenho somente superado por dois carros compactos: o Gol, da Volkswagen (19.080), e o Palio, da Fiat (8.702).
A venda do Vectra foi maior até que a do Corsa, carro básico da GM, que aparece apenas em sétimo no ranking, com 3.414 unidades comercializadas. O Vectra custa, na versão mais simples, cerca de R$ 25 mil, ou seja, o dobro de um carro popular. Apesar disso, teve mais compradores em outubro do que modelos mais econômicos, como o Ka e o Fiesta, da Ford, e o Uno, da Fiat.
Vendas da Fiat desabamA venda de carros nacionais e importados em outubro (101.450) caiu 21% no atacado (da fábrica para a concessionária) em relação a setembro (128.452). Na comparação com outubro de 97, a queda é maior: 46%. Os carros pequenos foram os mais prejudicados pela crise. O Corsa vendeu 29,5% menos. As vendas do Palio desabaram: foram 45% inferiores ao resultado de setembro. O Gol registrou queda de 13,3% e o Ka, de 16,6%. Na relação dos dez carros mais vendidos, o Vectra é o modelo mais caro e o único que não teve queda em relação a setembro. Vendeu 4,27% a mais.
As vendas do Marea, carro de luxo recém-lançado pela Fiat - preço mínimo de R$ 25 mil -, tiveram queda no mês (1,1%), mas ainda assim um resultado melhor que o obtido pelos automóveis compactos.
Apesar de o Astra custar R$ 20 mil, na versão básica, a montadora conseguiu comercializar 4.169 unidades em outubro, o que coloca o modelo entre cinco mais vendidos do país já no mês de estréia.
Os consumidores estão evitando os financiamentos. Isto ocorre nos populares. O motivo alegado não são as taxas de juros, ao contrário do que se possa supor, mas sim a cobrança de taxas e acréscimos indevidos.


