O rolling budget (orçamento contínuo) é a mais recente modalidade de planejamento estratégico e contábil que está tomando conta das empresas do mundo todo. O objetivo é buscar o planejamento quase que diário da empresa para enfrentar a competividade empresarial no mundo globalizado. Com a crise econômica em curso, o novo instrumento permite antecipar problemas e corrigir rumos orçamentários em tempo real, graças a tecnologia da informação agregada nos últimos tempos pelas empresas. No mundo 20% das empresas já praticam o novo modelo e apenas 10% no Brasil. ''O rolling é aderente à dinâmica dos negócios em tempos de crise econômica'', preve Clóvis Padoveze, doutor em Controladoria e Contabilidade pela USP de São Paulo.
Para que a empresa agregue o novo sistema de abordagem gerencial, entretanto, é necessário uma política de recursos humanos sintonizada com os negócios da empresa e seus desafios. ''O capital intelectual é o que diferencia empresas de mesmo porte e do mesmo setor. Os resultados são completamente diferentes devido os funcionários contratados'', declara Padoveze. Segundo ele, embora pareça óbvio, as empresas são tocadas por pessoas, ter tecnologia só não resolve o problema.
Os gestores do negócio da empresa, além do planejamento estratégico e de adequar o orçamento, devem o tempo todo gerenciar o empreendimento em busca de resultados. Conhecer o negócio, comprar material certo para produção, vender corretamente, entender o mercado e seus humores são premissas básicas para a prática do rolling. Padovese destaca que o novo recurso gerencial em voga só foi possível pela padronização da contabilidade internacional e pela adoção da contabilidade digital no Brasil.
Padoveze pondera que os custos para este tipo de planejamento contínuo são altos e para cada empresa existe uma abordagem gerencial adequada. ''É necessário a empresa analisar o custo e o benefício, levando em conta sua estrutura organizacional''. Segundo ele, no rolling estão inclusos modelos decisórios em softwares da empresa, baseado em experiências gerenciais anteriores. ''Se um gasto não pode ser feito, o próprio programa de computador barra tal iniciativa e demonstra o que está em jogo'', exemplifica o estudioso.
Ele lembra que o gerenciamento estratégico e contábil das empresas podem ter de um até cinco anos. O estudioso assegura, entretanto, que a abordagem gerencial deve também ter um planejamento a longo prazo, mesmo com a prática do rolling. ''A empresa deve antecipar situações, como a compra de novos equipamentos, por exemplo'', ensina.
Com o título Orçamento Empresarial: Novos Conceitos e Técnicas, Padoveze lançou livro no início deste ano pela Editora Pearson, que trata o novo momento da contabilidade. O livro tem a participação de Fernando Taranto, mestre na área contábil.

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