Modelo econômico impede País de crescer
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quinta-feira, 26 de junho de 2003
José Ramos<br> Agência Estado 
Brasília - O ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Lessa, afirmaram ontem que o atual modelo econômico tem impedido a realização dos investimentos necessários para garantir o crescimento. Durante exposição no I Seminário de Infra-Estrutura para o Desenvolvimento Sustentável, promovido pela Fundação Perseu Abramo - centro de estudos ligado ao PT -, o ministro defendeu a ''rebeldia em relação à interdição macroeconômica'' como forma de garantir tais investimentos no Brasil e sua integração com a América Latina.
De acordo com Ciro, as restrições macroeconômicas vêm dificultando até mesmo a mobilização de recursos públicos para a recuperação da infra-estrutura existente, que se deteriorou nas últimas décadas. Ele defendeu todos os mecanismos possíveis de parcerias, num arranjo financeiro ''desinterditado de preconceitos e dogmatismos'', mas disse que a solução definitiva depende de ''um novo modelo de gestão macroeconômica''.
Depois da sua participação no evento, o ministro não quis detalhar aos jornalistas as características desse novo modelo, com a alegação de que o seminário era um espaço acadêmico, cujo platéia certamente entendera sua proposta. O objetivo da Fundação Perseu Abramo era recolher subsídios para a elaboração do Plano Plurianual de Investimentos (PPA).
Lessa falou logo em seguida e apoiou a posição de Ciro: ''Assino embaixo e me ofereço para ser um sabotador.'' Como possível arma nessa luta, Lessa citou o uso de Convênio de Crédito Recíproco (CCR) para aumentar o comércio entre os países latino-americanos, dando sustentação à integração da infra-estrutura da região.
A revitalização do CCR, que estimula a troca de mercadorias avalizada pelos bancos centrais, permitiria superar, segundo o presidente do BNDES, a restrição macroeconômica da América Latina. Ele apontou ainda como exemplo positivo as negociações entre o BNDES e o governo venezuelano para que produtos brasileiros sejam pagos mediante recebíveis de petróleo daquele país.
Lessa confirmou que está ''circulando no ar'' a idéia de criação de uma empresa aérea sul-americana: ''É uma espécie de sonho.'' Segundo ele, a intenção surgiu nas discussões sobre a necessidade de reestruturar o transporte aéreo brasileiro e da constatação de que problema semelhante atinge toda a região. Mesmo assim, ele disse que cabe ao BNDES esperar que as empresas apresentem propostas da reestruturação para que elas sejam estudadas.


