Vanessa Adachi
Agência Folha
As ações da Cesp (Companhia Energética de São Paulo) não são, hoje, nem sombra do que eram há pouco mais de três meses. Naquela época, o papel havia absorvido todo o otimismo do mercado com a iminência da privatização da CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz), que encheria seu caixa.
Hoje, o mesmo mercado está decepcionado com o formato que o governo paulista escolheu para a venda de outros ativos da Cesp. O formato tem sido chamado de ‘‘maquiavélico’’ por alguns.
Por conta disso, na semana passada, as ações ordinárias da empresa
desabaram 18,5%, fechando na sexta-feira a R$ 48,50 por lote de mil. Desde o início do ano, a queda acumulada já chega a 27,6%. A conta é ainda mais impressionante em relação ao período imediatamente anterior ao crash de outubro passado. Comparado ao dia 24 de outubro, auge do otimismo, quando Cesp PN estava a R$ 95,06 o lote de mil, o tombo é de 48,6%. ‘‘O modelo escolhido é negativo para o acionista minoritário’’, resume o analista da consultoria Lopes Filho & Associados Alex Pardellas. O foco do problema está na criação da empresa Elektro Eletricidade e Serviços pelo governo do Estado de São Paulo.
Trata-se de uma subsidiária para absorver todos os ativos da área de
distribuição de energia da Cesp _ pelo valor patrimonial de R$ 528 milhões _ e mais uma dívida de R$ 700 milhões, correspondente a essa fatia da energética paulista.
A expectativa do mercado era que a própria Cesp venderia o controle da
subsidiária Elektro. O dinheiro, incluindo o gordo ágio, iria para seu caixa, e todos os acionistas seriam beneficiados, inclusive os minoritários.
As regras acabaram sendo diferentes. Foi definido que a Cesp venderá as
ações da Elektro, dando direito de preferência aos seus próprios acionistas, na proporção de sua participação na própria Cesp. Dessa forma, o governo paulista, que detém 60,5% da Cesp, terá também o controle da Elektro.

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