Modelagem Empresarial
PUBLICAÇÃO
domingo, 17 de março de 2002
Aurélio Andrade 
O cenário industrial brasileiro ressente-se dos reflexos de uma forte competição internacional, aliada à existência de problemas estruturais históricos. Isso exige inovação em termos de gestão, bem como uma constante adequação das empresas ao ritmo imposto pelo mercado. Porém, esse processo de evolução e inovação nem sempre ocorre de forma harmoniosa. Tem-se observado que tais problemas são, muitas vezes, tratados de maneira superficial, sem o ataque às verdadeiras causas. A famosa expressão apagar incêndios é uma rotina usual em várias empresas brasileiras.
Diversos fatores explicam essa tendência de tratar apenas os sintomas de um problema, ao invés das causas estruturais profundas. E a inexistência de uma abordagem estruturada para a resolução de problemas contribui para a continuidade dessa situação. É conhecido o ditado empresarial de que um problema bem definido já carrega metade da solução. Porém, na prática, nem sempre encontramos problemas claramente identificáveis. A existência de situações pouco estruturadas demanda um tratamento diferenciado para o seu melhor entendimento, uma vez que um problema pode nem mesmo existir de fato, ocorrendo apenas diferentes percepções dos atores envolvidos no contexto, gerando um provável conflito.
Para identificar essas dificuldades, a Modelagem Empresarial tem duas formas distintas para o diagnóstico e ação em sistemas empresariais: a abordagem hard, que busca a resolução de problemas através de uma maneira sistematizada de estruturar e modelar a situação, e a abordagem soft, que visa enriquecer a compreensão de uma determinada situação, sem se preocupar diretamente com a resolução de um suposto problema. Cada uma destas abordagens possui um conjunto de técnicas de modelagem. Na abordagem hard, as técnicas mais conhecidas são a Programação Linear, a Simulação Computacional e os Métodos Heurísticos. Já na abordagem soft, observam-se técnicas como o Pensamento Sistêmico, a Soft Systems Methodology e o Mapeamento Cognitivo, entre outras em uso internacionalmente.
No Brasil, o estudo sistêmico dessas técnicas encontra-se num estágio inicial, tanto em termos acadêmicos quanto nas empresas. Essa avaliação dá-se não pela ausência de pesquisa e utilização nas empresas brasileiras, o que em termos genéricos é uma realidade, mas principalmente pela não aderência destes métodos ao dia-a-dia dos processos empresariais de planejamento estratégico e tomada de decisões. Nesse sentido, criou-se no Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade o LABMODEL (http://www.ibqppr.org.br, clique o link Modelagem Empresarial) com a missão de difundir, capacitar e assessorar empresas para a aplicação dessas técnicas nos processos de entendimento de suas realidades complexas, bem como no auxílio à tomada de decisões.
* Aurélio Andrade é Mestre em Engenharia de Produção e Gerente do LABMODEL/IBQP.
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