Modelagem é nova ferramenta da pesquisa agropecuária
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sexta-feira, 21 de novembro de 1997
Londrina 
Mário CésarIntercâmbioTed Wilson, do Texas, e pesquisadores do Iapar: modelos matemáticosO Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) realiza hoje, às 8h30, o seminário Novas linhas de Pesquisas para o Manejo da Lavoura Cafeeira no Paraná. O destaque do seminário é a produção de softwares voltados para o manejo da lavoura. Sistemas e softwares para modelagem já existem para outras culturas e estão sendo adequados com a orientação de pesquisadores norte-americanos.
O emprego de modelos matemáticos no manejo das lavouras de café, ou outras culturas, pode trazer economia de milhões de dólares, além de facilitar a vida de técnicos e produtores na hora de decidir sobre plantio, aplicação de defensivos ou outras operações. Esses programas de computação, montados a partir de conhecimento acumulado sobre todos os componentes e agentes ambientais como plantas (variedades), solos, clima, pragas e doenças, podem levar a equações que resultem na condução racional da lavoura.
O professor Ted Wilson, da Universidade do Texas A&M, que está em Londrina para participar do seminário, relaciona uma série de vantagens dessa nova tecnologia. O domínio da modelagem possibilita, por exemplo, um melhor conhecimento das pragas, como sua migração, hábitos, fisiologia etc; monitoramento do clima (previsão de geadas); uso adequado dos fatores de produção, a partir do conhecimento dos componentes. A interação dessas variáveis em modelos matemáticos resulta na montagem de um manejo eficaz da cultura.
Uma conquista importante para a ciência é a redução do tempo para se obter uma nova variedade dotada dos atributos desejados. Em arroz, é possível obter-se em 5 anos uma variedade que pelos métodos convencionais da pesquisa levaria entre 7 e 14 anos. Este ganho de tempo é válido para outras culturas como algodão e café. Nos Estados Unidos, modelagem e biotecnologia abreviam para 5 a 6 anos a obtenção de uma cultivar que pelos métodos tradicionais demandaria entre 15 e 25 anos.
No Texas, onde esses programas de pesquisa começaram a ser implantados há oito anos, os produtores bancam parte dos investimentos. Cerca de 50% do programa de coleta de informações é bancado pelos fazendeiros e a outra metade é atribuição do governo.
Há uma informação do professor Ted Wilson que expressa bem o retorno econômico da pesquisa: o sistema de alerta com relação a fenômenos climáticos (geadas) proporciona, este ano, uma economia de US$ 100 milhões, no Estado do Texas. No Estado de Oklahoma, que é menor, a economia proporcionada pelo mesmo sistema é de US$ 20 milhões/ano.
O Iapar tem adaptado a experiência dos cientistas norte-americanos às condições de pesquisa no Paraná. Segundo os pesquisadores Amador Villacorta e Paulo Henrique Caramori, o Iapar pretende usar a modelagem nas pesquisas em café e arroz irrigado. A grande vantagem para o Iapar é que a instituição não precisa começar do zero, ele está queimando etapas com a experiência acumulada pelos Estados Unidos. Para os técnicos norte-americanos esse intercâmbio também é importante em termos de validação do conhecimento.
Caramori destaca a importância da modelagem na agrometeorologia. A equação de todos os fatores que exercem influência sobre as condições ambientais (características da planta, condições de solos, comportamento de pragas e doenças, etc) leva a um quadro que possibilita predizer que atitude se deve tomar diante da ocorrência de fenômenos. Mas o modelo é muito mais do que isto, é importante ferramenta para o melhoramento genético das plantas e isto em pesquisa significa ganho de qualidade, tempo e economia nos investimentos.


