Brasília - O secretário-executivo da Comissão Especial de Aviação Agrícola do Ministério da Agricultura, Erwin Klabunde, defendeu ontem que a compra de aviões agrícolas possa ser feita com recursos do Moderfrota, programa destinado ao financiamento de máquinas e equipamentos agrícolas. Segundo ele, tramita no Congresso Nacional um projeto de lei propondo que as regras do Moderfrota sejam autorizadas também para a aviação agrícola. O Moderfrota foi instituído por meio de medida provisória e, posteriomente, transformado em lei.
Para Klabunde, a inclusão permitirá a expansão da aviação agrícola no País, que hoje possui a segunda maior frota do mundo, com 1.100 aeronaves, atrás apenas dos Estados Unidos, e movimenta US$ 100 milhões ao ano. ''A inclusão de pulverizadores agrícolas aéreos no Moderfrota é importante porque as empresas do setor e produtores de todo o País poderão ter acesso aos recursos do programa'', argumentou.
Outra proposta defendida pela comissão é a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para importação de DGPS, aparelho que indica com precisão as quantidades de defensivos que devem ser usados nas aplicações. Esse é um equipamento usado na aviação agrícola. O grupo também pedirá a conversão da gasolina para álcool hidratado dos motores da frota brasileira de aviões agrícolas.
A comissão estimou que os motores a álcool permitem uma economia de 30% no uso de combustíveis, o equivalente a US$ 2 por hectare. No total, isso representaria uma redução anual de cerca de US$ 32 milhões nos gastos do setor. Maior vida útil e redução dos danos ambientais também são características dos motores a álcool.
Mamona - O biodiesel pode suprir a demanda por combustível de 16% da frota nacional, e 40% da produção pode vir da mamona, estimou ontem o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Napoleão Beltrão. Para ele, a mamona pode se tornar, no cenário do Nordeste, um dos principais componentes do Programa Nacional de Biodiesel no curto prazo. A mamona é uma das principais fontes de biomassa e pode ajudar na reversão do processo de poluição atmosférica mundial, disse ele.
''A mamona sequestra cerca de dez toneladas de carbono por hectare plantado'', calculou Beltrão. Um desafio para os pesquisadores da Embrapa é a obtenção de variedades de porte baixo para facilitar a mecanização da colheita, especialmente o cultivo na região Centro-Sul.
As pesquisas devem se concentrar na obtenção de variedades de baixas altitude. Hoje, a mamona só é viável economicamente se plantada em altitudes acima de 300 metros do nível do mar.

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