Modais de transporte emperram competitividade
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Maigue Gueths <br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os empresários paranaenses acreditam que as debilidades do setor de transportes é um dos maiores problemas a vencer para ganhar competitividade no mercado e, dentro do setor, citam o Porto de Paranaguá como principal gargalo da infraestrutura do estado. A preocupação específica dos empresários do Paraná com os modais de transporte foi evidenciada na pesquisa Competitividade Regional, realizada ao longo do ano de 2010 pela Câmara Americana de Comércio (Amcham) e apresentada ontem em Curitiba.
Enquanto a maioria dos empresários das outras cidades pesquisadas (Belo Horizonte, Recife e Campinas) apontou o setor da Educação e Formação Profissional como prioridade para receber apoio dos governos e iniciativa privada, no Paraná 32% apontaram os modais de transporte como prioridade. Questionados, ainda, sobre o modal que necessita de mais investimentos, 32% citaram o porto. Os aeroportos, ferrovias e rodovias foram apontados por 22% dos pesquisados.
''É interessante ver que apesar do Paraná ser uma região mais voltada para os serviços, 32% enxergaram que o porto é o maior problema'', avalia o vice-presidente Regional da Amcham Curitiba, Eduardo Guy de Manuel. A pesquisa, feita com apoio do Instituto Análise, ouviu 171 empresários de variados portes associados à Amcham nas quatro cidades, sendo 43 do Paraná. O objetivo era levantar os obstáculos para maior competitividade nas áreas de infraestrutura e eficiência tributária.
Com os dados em mãos, a Amcham está fazendo este ano seminários nas cidades pesquisadas. Em Curitiba, o encontro contou com a presença do secretário de Estado de Planejamento e Coordenação geral, Cassio Taniguchi, que fez uma exposição sobre as obras e programas do governo na área de infraestrutura.
Outro destaque das respostas dos empresários paranaenses em relação aos de outros estados refere-se aos setores considerados mais promissores para investimentos nos próximos anos. As três áreas mais citadas em todas as cidades foram as grandes obras de construção civil (42%), modais de transporte (39%) e Turismo e Entretenimento (37%). No Paraná, no entanto, apenas 17% citaram a Indústria Automobilística. Segundo Guy de Manuel, a resposta mostra a perda de competitividade deste setor, tanto para montadoras como fábricas de autopeças em função da intensidade do movimento sindical local e perda de espaço diante da concorrência do México.
Questionados sobre os projetos em que têm interesse em atuar nos próximos anos, 52% dos empresários afirmaram que pretendem investir em tecnologias inovadoras. ''Isso mostra um salto do empresariado paranaense, que ele está preparado para dar passos sozinho e que quer certo distanciamento do governo'', diz Gabriel Rico, executivo da Amcham Brasil. O investimento em projetos de curto prazo, com vistas à Copa de 2014 e às Olimpíadas de 2016, foram citados por 32% e 27% do empresariado, respectivamente, mostrando interesse menor do empresariado do Paraná em relação às demais cidades pesquisadas.


