Moda praia brasileira conquista mercado externo com rapidez
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sábado, 22 de março de 2003
Vera Dantas<br> Agência Estado 
São Paulo - Nas passarelas da moda e vitrines internacionais, expostos ao lado de marcas consagradas como Dolce Gabbana, Prada, Gucci e Donna Karam os biquínis brasileiros vêm conquistando o mercado externo em ritmo acelerado. Apenas para os Estados Unidos as exportações de biquínis e maiôs cresceram no ano passado 81% em relação ao ano anterior. Em 2001, os fabricantes nacionais já comemoravam um aumento de 71,5% nas vendas para o público americano na comparação com 2000.
O poder de atração da moda praia brasileira também tem alcançado outros mercados. As exportações brasileiras no ano passado avançaram 49% na Itália, 30% na Espanha e 30% no Chile. ''É claro que a presença do Brasil no mercado mundial ainda é irrelevante. Para se ter idéia, a participação do vestuário no mercado global é de apenas 0,14%, índice que pretendemos triplicar em cinco anos'', diz o diretor de operações da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Rossildo Faria.
Para participar do mercado internacional os fabricantes produzem a coleção que será lançada no Brasil e lá fora quase ao mesmo tempo. Os americanos, por exemplo, querem receber os primeiros modelos em novembro, quase início de inverno. ''É um lançamento pré-verão destinado a um público de maior poder aquisitivo que costuma viajar para o exterior'', explica o estilista da Rosa Chá, Amir Slama, que vende suas peças mais caras de US$ 80 a US$ 150 nesta época.
O restante das entregas costuma ser feito entre janeiro e abril e exposto nas vitrines mesmo quando os termômetros marcam temperaturas abaixo de zero. ''Produzo a todo vapor para atender o mercado interno e externo quase simultaneamente'', conta Lenny Ortiz Niemeyer, da marca Lenny. Ela exportou no ano passado metade de sua produção de cerca de 300 mil peças/ano e está entusiasmada com o resultado.
Em 2002, as exportações de biquínis ''Made in Brazil'' somaram US$ 7,1 milhões, um aumento de 19% em relação ao ano anterior, segundo levantamento da Abit. Em volume foram vendidas cerca de 850 mil peças, 18,6% a mais do que em 2001, o que mostra, de acordo com Rossildo Faria, que os preços praticamente se mantiveram e se ganhou participação de mercado. ''O potencial para crescer é muito grande porque o Brasil vem se firmando aos poucos como referência de moda e o biquíni virou um ícone do País lá fora'', diz.
A Cia.Marítima, por exemplo, líder em exportações de biquínis e maiôs, intensificou sua presença no circuito internacional de moda convidando Gisele Bundchen, a musa número um das passarelas para ser representante de sua marca. A Cia.Marítima não revela números de produção, mas o diretor da empresa, Benny Rosset, informa que 10% do que fabrica segue para o exterior. A intenção é duplicar a exportação em cinco anos. Além de sua marca tradicional, mais sofisticada e voltada para o público A e B, a empresa começa este ano a vender lá fora a etiqueta Água Doce, criada para o público mais jovem.
Outra fabricante, a Poko Pano também quer ampliar suas exportações, segundo a diretora comercial Paola Robba. A empresa colocou no mercado externo 30 mil peças no ano passado, o equivalente a 30% de sua produção, com preços de US$ 60 a US$ 120 e quer chegar a exportar este ano 40% das 40 mil peças que vai confeccionar.


