Moda inflaciona preço de sementes
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sexta-feira, 03 de fevereiro de 2006
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
As cores, as formas e a imensa variedade de sementes amazônicas chamaram a atenção da moda brasileira. Sempre em busca de novidades - e diversidade - as sementes e peças em madeira foram introduzidas nas bijuterias. A novidade agradou tanto as consumidoras que fez até aumentar o preço desses artigos no atacado e no mercado local a partir do último trimestre do ano. No entanto, mesmo com o custo inflacionado o volume de vendas não diminuiu.
Segundo Henrique Honorato, proprietário da Bijoux e Cia, os preços das sementes começaram a subir em outubro e, desde então, os reajustes têm sido frequentes. ''As sementes estão no auge da moda e estão vendendo bem. Na Região Norte (do país) a fiscalização é em cima disso e, por isso, o produto está escasso. Aí, estoura para o consumidor'', comenta. Segundo ele, o preço do milheiro das sementes de açaí, as mais procuradas, quase triplicou.
''Costumava pagar R$ 8, o milheiro, agora tem lugares que vendem até por R$ 30. Como pesquiso bastante, pago R$ 22 o milheiro'', diz Honorato. A pesquisa de preços é a forma encontrada por ele para não subir tanto o custo para a sua clientela. ''Não subi os preços das sementes porque uso como chamariz. Isso aumenta o fluxo de clientes e, consequentemente, as vendas'', afirma.
Já a proprietária da Armazém Bijoux, Heloísa Nonino, diz que o preço foi reajustado em agosto. ''A justificativa foram as chuvas no Pará, de onde vêm as sementes'', diz. Naquele mês, o preço de cada semente subiu R$ 0,02 para o consumidor final. No entanto, ela comenta que a moda provocou mais diversificação dos produtos que, agora, são ofertados em cores e tipos variados.
Preço alto ou baixo, as consumidoras não deixam de comprar sementes e madeiras. ''Vejo mais a qualidade e o resultado final da peça. Se uma peça está bonita, as mulheres não olham muito preço, só negociam'', afirma a designer Katy Costa Affonso. Ela está na cidade há quatro meses e, há dois, começou a fabricar bijuterias para vender no mercado local. ''Sou de Santos (SP) e a utilização de sementes e madeiras é uma tendência praiana. Estou aproveitando isso para produzir as peças aqui'', diz.
Já a secretária-financeira, Marlene Pícoli, costuma comprar sementes e contas para fabricar peças para suas duas filhas e presentear as sobrinhas. ''Não vou muito pelo preço e como não compro sempre, às vezes, exagero'', comenta. A secretária Aline Cristina dos Santos Pinto também afirma que não costuma comprar os artigos com frequência. ''Não olho muito o preço porque faço para eu mesma usar'', diz.


