Moda brasileira desponta internacionalmente
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segunda-feira, 12 de setembro de 2005
Vera Barão<br>Reportagem Local 
''Fazer a moda brasileira não significa mais usar a arara, o samba, o carnaval como tema. Você tem que fazer uma moda de olho no mercado internacional''. Essa é a visão da estilista Juliana Santos, da AMC Têxtil conglomerado que surgiu com a catarinense Menegotti Malhas, uma das maiores fabricantes de malha da América Latina. Juliana participou ontem da palestra de abertura do Estação Fashion Londrina, que prossegue até amanhã no Centro de Eventos de Londrina.
Produzindo 2,2 milhões de peças ano, o grupo catarinense detém grifes como Colcci, Sommer, Coca-Cola Clothing e, recentemente, adquiriu a grife paulistana Carmelitas. Fundada em 1980, em Jaraguá do Sul, a Menegotti Malhas se diferencia das demais grifes de luxo brasileiras por estar fora do eixo Rio-São Paulo, o que não a impede de querer ser a maior gestora em marcas de moda do País.
''Queremos nos tornar o maior conglomerado de marcas assim como ocorre com a LVMH'', diz Juliana, referindo-se a dona de Louis Vuitton, Kenzo, Replay e outras marcas famosas que faturam 12,6 bilhões de euros por ano. ''As pessoas acham que essas marcas são concorrentes, mas na verdade elas pertencem ao mesmo grupo'', complementa Juliana, sem revelar o faturamento da AMC Têxtil.
A idéia do conglomerado catarinense é continuar expandindo. Sem revelar os planos, Juliana afasta os boatos de que o grupo estaria comprando a Zoomp, mas não descarta que tem interesses em outras marcas de tecidos finos. ''O leque tem que ser aberto'', comenta ela, informando que só a Colcci vende para 12 países. Isso significa que 40% da produção da empresa é destinada à exportação. No Brasil são 110 franquias, fora os pontos de vendas e multimarcas.
A iniciativa do grupo em partir para um projeto de compra de grifes jovens e com potencial criativo para fazer parte do mercado de luxo ocorreu em 2000. De lá para cá, a produção vem num crescente, afirma Juliana, lembrando que a Menegotti foi criada para vender retalhos de tecido a pequenas malharias. Nas duas últimas campanhas, a Colcci utilizou a modelo Gisele Bundchen como garota propaganda, o que ajudou a alavancar ainda mais as vendas.
O fato da Menegotti estar entre as poucas marcas brasileiras, despontando internacionalmente, faz do grupo um case de sucesso. Na palestra, Juliana mostra a trajetória da fábrica fundada pela professora primária Cecília Menegotti. ''Hoje quase todas as marcas vêm de grandes centros (São Paulo e Rio de Janeiro) e nós estamos numa cidade pequena do Sul. Isso reforça a idéia de que a moda está bastante globalizada e, que. diversas regiões do país fazem moda para o mundo''.
Com investimentos na casa de R$ 28 milhões, o grupo redirecionou suas coleções para o público fashion-moderno a partir de viagens internacionais feitas pelos estilistas da casa. ''Viajo pelo menos quatro vezes ao ano para conhecer as tendências e não para fazer cópias. Unimos na fábrica talentos consagrados com estudantes que hoje sabem que, para fazer moda, é importante design, além de fazer um produto de alto valor agregado'', informa Juliana.


