Mobilização racha bases de centrais
Arquivo FolhaApoio parcialMedeiros, deputado eleito e presidente da Força Sindical: Contra o câncer e os juros, todo mundo éAs bases da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da Força Sindical estão absolutamente rachadas em relação ao Pacto pela Produção e pelo Emprego, liderado pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva. Sem unidade interna, as duas centrais demonstraram isso justamente no ponto alto do movimento paulista por mudanças na política econômica: durante a manifestação de ontem.
A Força Sindical recuou. O presidente da central, Luiz Antônio de Medeiros, deputado eleito pelo PFL, retomou sua tradição governista, não foi à manifestação, e enviou uma nota oficial à imprensa. Na nota, revela que a direção da central ainda não discutiu o assunto, e alerta para riscos que uma mudança na política econômica poderia trazer para a estabilidade econômica.
Medeiros disse que a Força está fora do pacto porque o caminho da Fiesp não aponta pelo lado das reformas. Contra o câncer e os juros todo mundo é. O que a Fiesp tem que dizer é com que medidas pretende que os juros caiam, afirmou Medeiros. A briga da Fiesp, segundo ele, é com a equipe econômica. No fundo, o que eles querem é derrubar a equipe. O que nós queremos é acabar com o déficit público. Para nós, essa é a única maneira de baixar juros. Os juros só são altos porque o governo gasta mais que arrecada, disse Medeiros.
Na CUT a confusão é geral. O presidente da CUT Estadual-São Paulo, José Lopez Feijó, participou, mas na condição de diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. O presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT, Heiguiberto Navarro, também foi como diretor do sindicato.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, ressaltou que não falava em nome da central, e sim de sua categoria. Sindicatos cutistas de outras cidades passaram os últimos dias preparando manifestos contra a posição do ABC, de aderir a um pacto com empresários.
A estranha situação, contudo, não ofuscou o brilho de Marinho durante a manifestação. Ele foi aplaudido oito vezes pela platéia. Disse que na sua avaliação, salvo a estabilização da moeda, o governo fez tudo errado em matéria de política econômica.
Afirmou que não está propondo o fechamento da economia, mas reivindica, sim, a defesa do produto nacional, como fazem as maiores potências mundiais, como os Estados Unidos, para garantir igualdade de competição com o produto estrangeiro.





