Mobilização em defesa do Iapar não convence governo
Entidades, que vão realizar debate público nesta sexta (30), pedem a manutenção do instituto independente e em Londrina
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de agosto de 2019
Entidades, que vão realizar debate público nesta sexta (30), pedem a manutenção do instituto independente e em Londrina
Nelson Bortolin - Grupo Folha 

A mobilização das entidades da região para que o Iapar (Instituto Agronômico do Paraná) seja mantido em Londrina como uma autarquia independente não foi suficiente para convencer o secretário do Estado da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara. O projeto de lei 594/19 do governo de Estado agrupa em um só instituto o Iapar, a Codapar (Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná), a Emater (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural) e o CPRA (Centro Paranaense de Referência em Agroecologia).
Na manhã da próxima sexta-feira (30), entidades como a SRP (Sociedade Rural do Paraná), a Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina), e a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) vão realizar um debate público na Câmara Municipal, onde também irão divulgar um manifesto em defesa do Iapar.
NEM ADIANTA
“O Iapar vai permanecer no projeto”, disse à FOLHA o secretário da Agricultura na noite desta terça-feira (27) após defender a proposta em reunião com deputados estaduais na Assembleia Legislativa, em Curitiba. O projeto ainda não foi discutido nas comissões internas da Casa e o deputado Tercílio Turini (Cidadania) pediu a Ortigara que não peça urgência na tramitação.
“Queremos debater melhor a proposta”, disse Turini à reportagem da FOLHA. Segundo ele, a reunião na Assembleia não era para “definir nada”. O secretário foi apenas explicar a proposta para os parlamentares interessados. “Eu disse que há controvérsias sobre o projeto e que, se fosse ele, deixaria o Iapar como autarquia. Podemos fazer adequação, modernização no instituto, mas juntá-lo a outros órgãos não parece boa ideia”, declarou. Para o deputado, o Iapar é uma “joia do Norte do Paraná”.
Já o secretário Norberto Ortigara disse à FOLHA que a proposta do governo já foi “exaustivamente” debatida e a ideia é salvar e não prejudicar o instituto que tem sede em Londrina. Se permanecer sozinho, na visão de Ortigara, o Iapar terá de fechar as portas.
Embora o projeto de lei não explique como, segundo o governo, a união dos órgãos vai permitir economia de R$ 16 milhões/ano ao Paraná. No entanto, relatório da Secretaria da Fazenda vazado à imprensa afirma o contrário, ou seja, que o Tesouro vai ter de colocar mais dinheiro para sustentar a nova estrutura.
Um dos problemas apontados no relatório divulgado pela FOLHA na edição da terça-feira (27) é que a Codapar – uma empresa de economia mista – tem passivo de R$ 64 milhões e que parte de sua folha de pagamento é bancada pelo Estado.
“Não culpem a Codapar”, disse Ortigara ao ser questionado pela reportagem. “A situação da companhia está equacionada, ela vai muito bem, melhor que o Iapar”, declarou. De acordo com ele, a maior parte dos passivos da empresa se refere a tributos que foram parcelados em até 120 vezes.
O Iapar e a Emater têm passivos menores: R$ 48,6 milhões no primeiro caso e R$ 41,3 milhões, no segundo.
DEBATE
Além da SRP, Acil e OAB, vão assinar o manifesto em defesa do Iapar o Sinduscon (Sindicato das Indústrias de Construção Civil do Norte do Paraná), o Sindimetal (Sindicato das Indústrias, Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Elétricos do Norte do Paraná), o Ceal (Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina), a AML (Associação Médica de Londrina), a UEL, a Aepic (Associação das Empresas do Polo Industrial de Cambé) e as prefeituras de Londrina e Cambé.
O debate público será na sexta-feira (30), das 9h às 11h30, na Câmara Municipal de Londrina.


