Mobilidade das classes sociais favorece construção civil
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quinta-feira, 19 de julho de 2012
Victor Lopes <br> Reportagem Local 
A forte ascensão das classes sociais associada a uma demanda reprimida por moradia, que se arrastava por décadas, estão sendo fundamentais para que o mercado da construção civil brasileiro passe por um momento especial desde 2004. Esta é a avaliação do economista e consultor do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcelo Neri, que esteve ontem em Londrina para uma palestra voltada aos empresários do setor. O evento marcou o lançamento do Encontro Nacional para Inovação na Construção Civil (Eninc 2012), que acontece na cidade em setembro.
O economista comentou que nos próximos três anos as classes sociais vão passar por nova reestrutração no País. A classe C vai ganhar mais nove milhões de integrantes - um aumento de 11% - enquanto as classes A e B por volta de 7,7 milhões de brasileiros, crescimento de 29%. Antes disso, entre 2003 e 2011, 40 milhões de pessoas ascenderam a classe C, enquanto nove milhões chegaram ao topo da pirâmide.
Mais do que a mobilidade social, o especialista da FGV salientou que a desigualdade está diminuindo significativamente no Brasil desde dezembro do ano 2000, com o brasileiro possuindo um maior poder de compra baseado no trabalho, ou seja, está melhorando seu salário de forma sustentável. ''Antes, a educação aumentava mas a desigualdade não diminuía. Hoje, o Brasil vive uma situação de pleno emprego. O mercado está explorando justamente estas classes que por muito tempo ficaram esquecidas.''
Para Neri, as construtoras têm que apostar nos mais variados tipos de produto, tanto para a classe C quanto para as classes A e B. E mesmo com crédito imobiliário longe do ideal para atender toda a demanda - bem pequeno em proporção ao Produto Interno Bruto (PIB) - o economista acredita que ainda há muito espaço para evoluir, estando bem longe de um limite e de uma possível bolha no setor. ''O que está acontecendo agora é um certo tumulto em relação ao crédito, já que muitos que nunca haviam tomado (crédito) agora estão fazendo.''
Na avaliação do economista, os prazos para a tomada de crédito estão atualmente curtos em todo o mundo, completamente ao contrário do mercado imobiliário, que trabalha com prazos mais longos. Porém, ele acredita que o atraso brasileiro, que passou por um deficit habitacional gigantesco, acabe sendo agora uma vantagem. ''Temos este atraso para recuperar e estamos fazendo desde 2004.''
Por outro lado, Neri acredita que o segmento da construção civil precisa investir, principalmente, em tecnologias para melhorar a produação e também capacitação da mão de obra. Ele disse que o País passa por um apagão de trabalhadores, que vão desde ''os peões de obra até os engenheiros''. ''Principalmente na base do processo. Muitos inclusive, ascenderam da classe D e E para a C. Os salários destes trabalhadores aumentaram e eles precisam de capacitação.''



