A Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimovel) está negociando com o governo federal a inclusão de um percentual no valor dos financiamentos para a casa própria para ser usado na compra da mobília da nova unidade habitacional. A proposta volta a ser discutida na próxima sexta-feira, em uma reunião no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, em Brasília.
A sugestão de se criar o percentual sobre o valor dos financiamentos partiu dos principais polos moveleiros do país, inclusive de empresários do setor de Arapongas (Norte). A ideia foi encampada pela Abimovel há um ano e meio e começou a ser discutida ainda no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A proposta foi incluída nas propostas de campanha da candidata Dilma Rousseff (PT) para o setor de habitação. A programa da então candidata prevê a construção de dois milhões de unidades habitacionais pelo Programa Minha Casa Minha Vida nos quatro anos de mandato.
A possibilidade de adoção do percentual no valor dos financiamentos está mexendo com a cabeça dos empresários do setor. O presidente da Abimovel, José Luiz Diaz Fernandez, diz que não tem ''como mensurar'' o que a medida representaria em termos de crescimento para a indústria moveleira. ''Eu nem imagino, só sei que é uma coisa gigantesca, que multiplicaria a nossa produção'', afirma.
Mesmo assim, ele diz que a indústria está preparada para atender a nova demanda, caso o percentual realmente venha a ser criado, e não apenas para o programa oficial de habitação popular, mas para qualquer faixa de financiamento.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas, Nelson Poliseli, acredita que o percentual a ser acrescido sobre o valor dos financiamentos deve ficar em torno de 10% a 20%. Segundo o empresário, a medida iria beneficiar não apenas as indústrias, mas principalmente as empresas que trabalham no comércio de móveis.
Apesar da Abimovel não ter como estimar o crescimento do setor caso a medida seja implantada, é fácil calcular quanto a indústria poderia faturar nos próximos quatro anos, só com o programa Minha Casa, Minha Vida. Se forem realmente construídas os dois milhões de unidades previstas para os próximos quatro anos, ao valor médio de R$ 100 mil por unidade, com o índice para a compra de móveis de 10%, a conclusão é que o setor poderia faturar cerca de R$ 20 bilhões neste período. Esse valor é 15 vezes maior ao faturamento do parque moveleiro de Arapongas no ano passado, que foi de R$ 1,3 bilhão.
O presidente da Abimovel estará em Arapongas hoje à tarde para abertura da oitava exposição da Movelpar no Expoara.

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