A participação dos dispositivos móveis entre os canais de atendimento bancário saltou de 11% em 2014 para 21% no primeiro semestre de 2015. Só nos primeiros seis meses do ano, os brasileiros realizaram 4,9 bilhões de operações pelo mobile banking, o equivalente a 93% das transações realizadas em todo o ano de 2014. O mobile banking fica atrás somente do internet banking, que continua sendo o canal de atendimento mais utilizado, com 37,5% do total de operações bancárias. O levantamento foi realizado pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) na Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária junto a sete das principais instituições financeiras do País.
Para a Febraban, nenhum outro canal de atendimento bancário atingiu tamanho crescimento em tão pouco tempo. "O crescimento do uso do celular para realização de operações bancárias se deve à maior praticidade e conveniência para o consumidor. Hoje, é possível fazer várias operações pelo aparelho: de transferências de recursos ou simples consulta de saldos até operações de crédito", diz nota enviada pela assessoria de imprensa da entidade. "Vale ressaltar, também, o forte avanço do uso dos smartphones no Brasil, possibilitando que os usuários tenham uma infraestrutura adequada para utilizá-los", continua a nota.
O programador Pedro Sivaldo Lima Porto é usuário dos aplicativos de bancos tanto para transações como pagamento de boletos, quanto para outras operações, como recarga de créditos no celular. "É bem mais rápido fazer aplicações pelo celular. Está todo o momento à mão, à disposição." Já o empresário Leandro Garcia prefere realizar suas operações bancárias pessoalmente ou pelo caixa eletrônico, porque teme correr riscos relacionados à segurança. "Nem pela internet faço, por causa da segurança."
De acordo com a Febraban, os bancos brasileiros investem, anualmente, R$ 2 bilhões em sistemas de segurança eletrônica. "Os bancos têm feito investimentos expressivos nos últimos anos para garantir um ambiente seguro e oferecer interfaces cada vez mais amigáveis, melhorando assim a experiência dos clientes", diz ainda a nota enviada pela entidade. Para garantir transações bancárias mobile seguras, a Febraban também recomenda que os usuários cuidem de seus aparelhos, pois os fraudadores utilizam diversas estratégias para dissuadir os usuários a abrirem brechas de segurança digital.
Com o aumento no número de acessos ao banco via dispositivos móveis, a tendência é que o mobile banking se torne um alvo ainda mais atrativo para os criminosos virtuais. "O crime vai onde o dinheiro está", comenta o diretor geral da Kaspersky Lab (empresa de segurança digital) no Brasil, Claudio Martinelli. "Quanto maior o número de usuários, aumenta proporcionalmente o número de ameaças aos dispositivos móveis."
As ameaças mais "clássicas" para smartphones e tablets são os sites falsos, cujos links chegam ao usuário por mensagens. Depois que os clientes dos bancos fornecem número de conta e senha a estes sites, as informações são direcionadas aos criminosos virtuais. Outra maneira que os fraudadores usam para conseguir informações bancárias é instalando códigos maliciosos em smartphones ou tablets desprotegidos, ou monitorando as atividades dos correntistas nos bancos através de redes Wi-Fi inseguras. Por isso, Martinelli recomenda aos usuários de mobile banking manter sempre um software de segurança instalado nos aparelhos, não usar redes Wi-Fi públicas para transações bancárias e não repetir senhas para todos os serviços utilizados de maneira eletrônica. "Algum deles pode ser comprometido e a primeira coisa que o criminoso vai fazer é tentar ter acesso à conta bancária", explica o executivo.

mockup